sexta-feira, 19 de julho de 2013



Nesse blog você vai ter a oportunidade de conhecer um pouco sobre a história do bairro do São Caetano além de suas adjacências, sua importância para cidade e sua situação atualmente. Além de entrevistas com moradores da Rua Nova Brejal que para alguns moradores esta localizada no bairro do São Caetano e outros no bairro do Largo do Tanque ou Alto do Peru.

Falando um pouquinho sobre a cidade de Salvador-Ba


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Disponível em http://www.vejanomapa.com.br/elevador-lacerda-salvador-ba

A cidade de Salvador está localizada na Baia de Todos os Santos, é sabido que por esse motivo foi escolhida como capital do país durante o processo de colonização, pois estava situada em um ponto estratégico que propiciava a exportação do Pau- Brasil. Foi no século XV que a Cidade do Salvador foi fundada.
Vale lembrar que antes da colonização Salvador era habitada pelos índios tupinambá, com mudanças ocorridas na economia muda-se também a capital do país.
Atualmente Salvador é reconhecida pela sua comida, suas festas de rua como o carnaval que atrai milhares de pessoas para a cidade, além de grandes problemas na estrutura urbana da cidade, transito caótico, falta de pavimentação em alguns pontos da cidade, etc. 

Qual a ligação no contexto histórico entre o bairro da Liberdade e a Estrada das Boiadas?

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Disponível em http://stravaganzastravaganza.blogspot.com.br/2011/04/historia-da-criacao-de-gado-na-bahia.html


A estrada das boiadas era uma estrada de barro com areia que era passagem para os bois, era a principal estrada de ligação entre Feira de Santana e a cidade. As boiadas faziam o seguinte percurso: vinham de Feira de Santana passavam por Pirajá e pela estrada das boiadas para conseguir descer para a Areia do Canto da Cruz, a caminho do Retiro onde ficavam localizadas terras que serviam para enterrar as redes doentes e restos da matança dos bois. Além desse percurso tinha também o da Calçada, San Martin, pela Baixa dos Sapateiros passando pela Lapinha outra opção era passar pela cidade Baixa e subir pelo Largo do Tanque.
A estrada das boiadas era uma importante via de acesso a cidade de Salvador e o Recôncavo, além de ser caminho para entrada e saída de diversas mercadorias que abastecia a cidade.
Além disso, o bairro da Liberdade tem ligação com a Independência da Bahia, já que as tropas marcharam pela Estrada dos Bois, para lutar pela expulsão definitiva dos portugueses, assim depois de ser consolidado com ponto importante para a Independência da Bahia o bairro foi rebatizado de Liberdade. É sabido que o povoamento desde região ocorreu após a abolição com a chegada de ex-escravos para habitar o local.
Atualmente o bairro da Liberdade concentra uma população majoritariamente negra, alem de concentrar diversas lojas, bancos, supermercados e ambulantes. A Liberdade conta com o Afoxé Ilê Ayiê, o qual oferta diversos cursos a população da região.




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Disponível em http://oprofessorweb.wordpress.com/2010/10/28/origens-dos-bairros/


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Disponível em http://www.obaoba.com.br/salvador/outros/pero-vaz/senzala-do-barro-preto

Quem foi São Caetano?

Caetano nasceu no ano de 1940, na cidade de Vicenza localizada na Itália, fazia parte de uma família de nobres, quem deu esse nome a Caetano foi seu pai, na sua família já tinha outra pessoa que recebera esse mesmo nome seu tio que também se chamava Caetano Thiene. Caetano, assim como seu tio estudou na universidade de Pádua, que aos vinte e dois anos foi laureando em direito civil e canônico pela universidade. Logo depois se mudou com seu irmão para Rampazzo, criando um bom relacionamento com os camponeses, mais tarde trabalhou na corte pontifícia apostólica do Papa Julio II e depois Leão X. Percebendo os problemas ocorridos dentro da igreja em relação a corrupções Caetano percebeu que a igreja necessitava de uma reforma criando o tema “Renovar, Renovando-se”, em 1516, Caetano foi ordenado sacerdote, sua primeira missa foi realiza na Basílica de Santa Maria Maior Em Roma, estava com trinta e seis anos de idade.
Depois Caetano relatou que Nossa senhora apareceu-lhe e colocou-lhes nos barcos O menino Jesus. Em 1520, foi para Veneza, onde ajudou na fundação do hospital dos incuráveis.
Fazia parte também de um grupo que era composta por leigos, sacerdotes e bispo, chamado Oratório do Divino Amor, o objetivo era ouvir a Palavra de Deus realizando reflexões.
Caetano faleceu no dia 07 de agosto de 1547 em Nápoles, no ano de 1671 foi canonizado e seu corpo esta sepultado na Basílica de São Paulo Maior (Nápoles).

A Paróquia São Caetano, foi fundada no ano de 1972, em homenagem a São Caetano de Thiene.

Como o bairro ganhou esse nome?

Disponível em http://www.ub.edu/geocrit/b3w-938.htm

Durante pesquisa realizada encontrei um relato que diz que na região do bairro São Caetano, morava um homem que fez uma promessa ao santo São Caetano para melhorar de um problema na visão, ele conseguiu alcançar o seu pedido e em agradecimento mandou construir a capela, por isso o bairro ganhou esse nome.

A história do bairro do São Caetano e sua importância para a cidade.


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Disponível em http://oprofessorweb.wordpress.com/2010/11/18/bairro-do-sao-caetano/

Pesquisando a história do bairro São Caetano descobrir que essa região era uma fazenda chamada Agomé, porém em outros documentos dizem que existia duas fazendas Boa Esperança e Cruzeiro do Sul, o que sabemos com base nas pesquisas que de fato  essa região era formada por fazendas.
O São Caetano foi um dos últimos locais habitados pelos portugueses antes da batalha da Independência da Bahia.
Após a batalha a região começou a crescer graças à estrada que ligava Feira de Santana a cidade depois veio à pavimentação das ruas devido à intervenção de Juracy Magalhães.
É Importante destacar que o sub-distrito de São Caetano é uma continuação do sub-distrito de Santo Antônio, esses sub-distrito tiveram suas origens nas antigas freguesias. O sub-distrito de São Caetano tem uma topografia um pouco mais acidentada e estabelece ligações com o sub-distrito de Pirajá, Valéria e São Cristóvão.
O bairro de São Caetano tem ligação com a estrada das boiadas já que por ali também passava bois sentido Pirajá - Feira de Santana e voltando Recôncavo - Salvador.
Avançando na historia quando buscamos informações sobre comunidades religiosas que tinha no bairro do São Caetano encontramos informações que mais ou menos no ano de 1936, vários intelectuais do período visitaram os terreiros de candomblé, como o terreiro de João da Pedra Preta ou Joãozinho da Goméia. João da Pedra Preta era um dos mais novo pai de santo tinha dezoito anos já possuía o terreno, para Joãozinho o seu terreiro era o mais apropriado para a realização de cultos do candomblé, seu terreiro era um simples galpão coberto por telhas.
Atualmente o bairro do São Caetano é um dos maiores bairros da cidade de Salvador, continua tendo estradas que fazem diversas ligações com outros bairros da cidade como o bairro do Largo do Tanque, Alto do Peru, Fazenda Grande do Retiro, Campinas de Pirajá, etc. O bairro do São Caetano é dividido em Camurugipe, Largo da Argeral, Sussunga, Jaqueira, Gorrô, Formiga, Gomeia e Centro. O Bairro conta ainda com outros bairros Capelinha do São Caetano, Boa Vista do São Caetano.
O bairro foi crescendo tanto que hoje tem variadas lojas, supermercados, drogarias, lotérica, diversas escolas como os colégios Luis Pinto de Carvalho, Des. Pedro Ribeiro, José Barreto, Edison Carneiro, Assis Chateaubriand, etc., além de contar com uma delegacia a 4ª Delegacia e posto de saúde.
 O bairro conta ainda com a Estrada Velha que no passado era o inicio da Estrada Velha do Aeroporto. São Caetano possui também um parque S.S. Schindler abriga uma escola de primeiro grau, onde oferta consultas médicas, além de cursos profissionalizantes.
Um dos problemas enfrentados pelos moradores do bairro é a questão dos engarrafamentos e segurança, a cada dia a região fica mais engarrafada além de não deixar os seus moradores seguros, já que a cada dia crescem os índices de roubos, assaltos na região. O bairro conta com um final de linha além da Paróquia São Caetano da Divina Providência.

Imagem-http://www.arquidiocesesalvador.org.br/

Fique informado:
O bairro do São Caetano sua ocupação está ligada ao êxodo rural, já que muitas famílias, pessoas, deixavam sua cidade de origem à procura de melhores condições de trabalho e renda familiar.

Como surgiu o bairro Alto do Peru?

Muitas pessoas que habitam no bairro ou próximo a ele nem sabem que o quanto o mesmo foi importante na historia da cidade, já que o bairro Alto do Peru já foi uma entrada da cidade, pois tinha uma trilha que realizava a ligação São Caetano a Campinas de Pirajá, essa trilha resultou na rua asfaltada que conhecemos como Rua do Oriente. Nesse percurso resultou no surgimento de várias transversais como: A Fonte do Capim, Sussunga Velha e Sussunga Nova e Brejal sendo essa a rua onde moro.
O bairro ganhou esse nome, pois no final da década de 40, um grupo de índios peruanos ocupou uma fazenda que tinha nessa localidade, por esse motivo o bairro recebeu o nome de Alto do Peru.
Pesquisando sobre o bairro podemos encontrar relatos de morados como Luiz da Cruz Parente, no qual diz que tanto o bairro Alto do Peu, como a Fazenda Grande, São Caetano, Largo do Tanque, Baixa do Fiscal, San Martin, Curuzu e até mesmo a Suburbana pertencia à família Catharino Gordilho.  A família Catharino Gordilho, era dona da tecelagem União Fabril, no qual seus funcionários começaram a habitar também o bairro Alto do Peru.
O bairro Alto do Peru foi utilizava pelos portugueses para vigiar o mar contra os holandeses já que era um ponto alto da cidade que ficava localizado próximo ao mar, como conta relatos da história.
O bairro Alto do Peru hoje fica localizado entre os bairros da Fazenda Grande e São Caetano, tendo como rua principal a Rua do Oriente. Atualmente no bairro temos localizado a Embasa- Empresa Baiana de Águas e Saneamento, além do Centro Social Urbano Dom Lucas Moreira Neves, o qual oferece cursos aos moradores da localidade, além da Igreja de Guadalupe, Padroeira das Américas.

Porém, o bairro não conta com uma escola para atender os moradores, tendo também problemas referentes ao transporte público já que só uma linha de ônibus atende essa localidade e segurança pública, os moradores da região reclamam da omissão dos órgãos públicos em relação ao bairro.

Qual a significado do nome Pirajá?

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Disponível em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Piraj%C3%A1_(Salvador)

Na etimologia (pará +já), significa na língua tupi pira-ya ou vivendo de peixes, esse nome deve ter sido dado pelos índios tupinambá que habitavam a região.

Pirajá e sua ligação com a Independência da Bahia


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Disponível em http://cliqueurbano.blogspot.com.br/2010/06/parque-de-pituacu-praca-general-labatut.html
Quando falamos sobre o bairro de Pirajá para entender seu surgimento temos que retornar ao passado. Nessa região havia uma aldeia chamada de tupinambá, segundo o autor Theodoro Sampaio, antes mesmo da fundação da cidade em 1536 um donatário concedeu uma sesmaria ao senhor João Veloso na região de Pirajá. Já no ano de 1540 os índios destruíram o engenho de Veloso, no ano de 1555 o engenho de Pirajá foi sitiado pelos índios, com isso ocorreu à criação de um engenho publico que atendessem aos pobres, lavradores, etc.
No ano de 1587 temos relatos da existência do Engenho de Sua Majestade  que ficava localizado junto a igreja de São Bartolomeu.
È sabido que a região era produtora de açúcar, que antes mesmo do recôncavo Pirajá já possuía o engenho de açúcar.
A freguesia rural de Pirajá surge no ano de 1608, confirmando o crescimento da área, era uma freguesia muito vasta já que ia desde os atuais subúrbios ferroviários até o litoral atlântico, ao norte da freguesia de santo Antônio.
Falando um pouco sobre o marco importante da região se conversarmos com algumas pessoas que moram ou frequentam o bairro de Pirajá, perceberemos  que algumas delas  acabaram  esquecendo o quanto essa região foi importante na história, esse local foi percorrido pelas tropas vindas do interior do Estado tendo como líder o General Pedro Labatut, com o objetivo de combater as tropas portuguesas durante a Guerra da independência da Bahia no ano de 1823.Pirajá também fazia parte da estrada das boiadas, até o ano de 1932, ali era o único local de acesso por terra para quem quisesse  chegar a cidade de Salvador. Em Pirajá e Itaparica foram cenários de algumas das batalhas mais importantes pela luta da independência.
Atualmente o bairro fica localizado próximo a BR 324 e ao subúrbio ferroviário tendo ligação com os bairros Marechal Rondon, Valéria, Planalto Real, Ilha Amarela, Rio Sena, Bela vista do Lobato, e Alto do Cabrito.
O bairro conta vários sub distritos como: rua velha de Pirajá, rua nova de Pirajá, campinas de Pirajá entre outros, além de vários estabelecimentos na região como supermercados, empresas de ônibus, bancos, etc. A região ainda conta com o Parque São Bartolomeu, porém encontra-se poluído e nenhuma medida dos órgão públicos em relação a modificar essa realidade, além de falta de segurança no local, problemas de pavimentação,etc.
Pirajá tem um Pantheon onde estão enterrados os restos mortais de alguns heróis de 1823 como o general Labatut onde se concentra a festa em comemoração a Independência da Bahia. 

Entrevistas



Arquivo pessoal

José Dantas
José morador da Rua Nova brejal à sessenta e sete anos. Dedo como é conhecido na comunidade, chegou na é conhecido na comunidade, chegou na Rua Nova Brejal, como seus pais seu José Cristovão e dona Maria, seu pai era um alagoano e sua mãe uma cearense.
Dedo antes de morar na brejal residia na localidade chamada de São Lourenço que fica próxima a rua nova Brejal.
Dedo relata que quando criança a Rua Nova brejal tinha o nome de Avenida Brejal era uma rua reta sem becos e vielas, atualmente a antiga Avenida Brejal é conhecida como Rua dom Luis de Vasconcelos e foi criada uma nova rua que conhecemos hoje como Rua Nova Brejal.
Na rua passava um grande dique e suas águas eram utilizadas na fabrica de saco de linhagem que ficava localizada no Fiais, atualmente a fabrica encontra-se desativada.
Ao perguntar sobre como era o transporte na região José (Dedo) informa que recorda-se que existiu um bonde que fazia o seguinte roteiro: Passava pela San Martin, Retiro e subia até a Liberdade, nesse momento Dedo lembra que nesse período ainda existia o antigo matadouro de bois, em relação ao bonde ele acredita que era chamado de linha oito o bonde que fazia esse percurso.
Dedo recorda-se com emoção que seu pai José Lorenço teve uma lotação no largo do tanque, (o que conhecemos hoje como topique).
Continuando a falar sobre o largo do tanque José conta que o bairro já foi muito valorizado, já teve cinema assim como o bairro da liberdade (cinema São Jorge). Existia também um grande barracão chamado de Coap onde os moradores da brejal iam vender algumas hortaliças que colhiam na horta que existia no final da rua brejal. Atualmente no local que ficava a Coap é um posto de gasolina.
Após alguns minutos de silencio Dedo volta a falar sobre seu pai, conta que o mesmo trabalhou na empresa Leste Brasileiro, que o seu trabalho era pegar o manganês nos vagões dos trens que ficava localizada na baixa do fiscal e depois levar para o porto na antiga Praça Cairu que conhecemos atualmente como Comércio.
Ao termino da conversa Dedo fala que a rua nova brejal cresceu bastante antes as casas eram de zinco e palha, hoje podemos ver a mudança na estruturas das casas, porém com o crescimento da rua acabou resultando no aumento da violência. E o bairro do largo do tanque no lugar de crescer regrediu não existe um posto de saúde aqui o mais próximo é o da liberdade ou do São Caetano.
Perguntado sobre a duvida que existe em relação a rua nova brejal pertencer ao são Caetano ou alto do peru, ele diz que essa informação é falsa a rua nova Brejal faz parte do bairro Largo do Tanque, foi os novos moradores que começaram a dizer que a brejal era parte desses bairros.

Rosa * (nome fictício)

Moradora da brejal há vinte quatro anos. Rosa conta que sua casa fica localizada na ladeira da brejal, quando eu vim morar aqui só tinha dois moradores nessa parte da brejal, aqui antes das casas eram utilizados pelos moradores da parte baixa da brejal como campus de futebol, aqui era tudo mato, com o passar dos anos aumentou o numero de moradores. Quando vim morar aqui a Bahia Azul nem tinha chegado nessa parte.
Hoje a ladeira da brejal é asfaltada , iluminada o transporte nessa região eu considero regular pois temos bastante opções.
Agora o que faz eu pensar em me mudar é a violência aqui já foi uma rua bem tranquila  mas hoje em dia tem ocorrido bastante assalto.


Arquivo pessoal

Curiosidade:
A travessa Elisia e Vila Elisia que ficam localizadas na Rua Nova Brejal, ganhou esse nome, pois uma das moradoras antigas dessa parte da rua Nova Brejal foi reclamar, pois nessa parte da rua não chegava correspondência, lá foi informada que a Vila/ Travessa precisava ser registrada ai a moradora registrou e colocou seu nome na rua.
 Conseguir essa informação durante um bate-papo com uma moradora da Travessa Elisia que prefere não se identificar.


Ao andarmos pelo bairro do São Caetano percebemos que a região dispõe de barreiras arquitetônicas, assim como as varias regiões de Salvador.
Assim percebemos que a região não atente o que esta no artigo 8 do Decreto 5.296 de 02/12/04 que considera acessibilidade
“condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida”.


AMARAL, Sharyse Piroupo do. História do negro no Brasil / Sharyse Piroupo do Amaral. – Brasília: Ministério da Educação. Secretária de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; Salvador: Centro de Estudos Afro Orientais, 2011.
Disponível:http://www.ceao.ufba.br/livrosevideos/pdf/Elementos%20pretextuais%20-%20UAB%202%20com%20ISBN.pdf. Acessado: 11 de maio de 2013.

BAHIA, Melissa Santos. Responsabilidade social e diversidade nas organizações: contratando pessoas com deficiência. Rio de Janeiro, Qualitymark, 2006.

BORGES, Jafé. Salavdor era assim II. Organização Jafé borges. Salvador: Instituto Geografico e Histórico da Bahia, 2001.

DOREA, Luiz Eduardo. História de salvador nos nomes das suas ruas/Luiz Eduardo Dorea;(Projeto Grafico:Alana Gonçalves e Gabriela Nascimento;Revisão:Tanis de Aragão Bezerra,Magel Castilho de Carvalho).- Salvador:EDUFBA,2006.450p.:il.mais anexo.-(Coleção Bahia de Todos).

LEAL, Geraldo da Costa. Perfis urbanos da Bahia: os bondes,a demolição da sé, o utebol e os galleges. Salavdor: Grafica santa Helena, 2002.

LOPES, Rodrigo Freitas. Nos Currais do Matadouro Público: O Abastecimento de Carne Verde em Salvador no século XIX (1830-1873). 2009 157 f. Dissertação (História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas)- Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009. Disponível: http://www.ppgh.ufba.br/IMG/pdf/Dissertacao_final.pdf.Acessado: 09 de maio de 2013.

NASCIMENTO, Andréa. Salve Pai Pedra Preta: uma contribuição singela à trajetória do Baba lorixá Joãozinho da Goméa . Revista Virtual de Humanidades, n. 11, v. 5, jul./set.2004. Disponível: http://www.cerescaico.ufrn.br/mneme/pdf/mneme11/103.pdf
Acessado em 09 de maio de 2013

VASCONCELOS, Pedro de Almeida. Salvador: transformações e permanencias ( 1549/1999). Ilheus: Editus, 2002.


Jornais:

A TARDE, PAG 06, CADERNO 01. 24 DE ABRIL DE 1999.

A TARDE, PAG 07, CADERNO-. 29 DE JUNHO DE 2005.

TRIBUNA DA BAHIA, PAG 04, CADERNO. 08 DE JULHO DE 1988.

Disponível: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alto_do_Peru. Acessado em 11 de maio de 2013

Disponível: http://www.teatinosnobrasil.com.br/crbst_15.html. Acessado em 11de maio de 2013.

Disponível:<http://www.arquidiocesesalvador.org.br/paroquia/sao-caetano-da-divina-providencia/> Acessado em 11de maio.  

Disponível:<http://www.paginaoriente.com/santos/crct0708.htm>Acessado em 13 de maio de 2013.

Disponível<http://umolharsobresaocaetano.blogspot.com.br/2009/06/comosurgiu-o-sao-caetano.html> Acessado em 11 de maio de 2013.

Disponível:<pt.wikipedia.org/wiki/Pirajá_(Salvador)#Sub-divis.C3.B5es>.Acessado em 13de maio de 2013.

Disponível:< http://www.brasil-turismo.com/historia.htm>.Acessado em 13 de maio de 2013.

Disponível em http://www.ub.edu/geocrit/b3w-938.htm .Figura 1 – Localização do bairro de São Caetano / destaque para a via principal.Fonte da base: Prefeitura Municipal de Salvador/SICAD. Mosaico de Ortofotos, 2006.Adaptado do Projeto Caminho das Águas em Salvador (PMS/CONDER/UFBA, 2009).




Diversão

No Bairro do São Caetano você encontra diversas opções de lazer para você e toda sua família, no bairro você encontra a pizzaria expresso, o restaurante Tchê Picanhas, churrascaria Frango do Moura etc.
O restaurante mais famoso do bairro é o que esta localizada na Rua Professor Francisco Góes Calmon n° 50, o Boteco do Jô da Bahia.

Reportagem disponível em <http://vejabrasil.abril.com.br/salvador/bares/jo-da-bahia-45534> acesso no dia 19.07.2013 às 07h05.

Escondido em meio a casas residenciais de São Caetano, um bairro popular bem distante do burburinho da Pituba e do Rio Vermelho, o boteco de Jomar Garcia é um achado. Trata-se de um espaço minúsculo, aberto em 2004, onde se apertam três mesas, um balcão e um fogão de quatro bocas. Cozinheiro autodidata com experiência em eventos, o proprietário prepara na frente dos clientes os tira-gostos e pratos que renderam ao bar sua primeira vitória em VEJA SALVADOR "Comer & Beber". Jô, como é conhecido, herdou o talento com as panelas de seu bisavô, um chef de origem portuguesa. No cardápio de quatro páginas, encontram-se receitas como o espaguete ao molho de tomate, leite de coco, vinho branco e camarão (R$ 35,00), disponível às terças e quartas, e a feijoada de mariscos, elaborada com feijão-branco e servida somente aos sábados (R$ 40,00). Da inspirada seção de petiscos, leva o nome de dona canô o conjunto de oito camarões envoltos em massa de aipim e empanados com tapioca e lascas de coco. Eles vão à mesa na companhia de molho de pimenta com morango (R$ 24,00). Outra boa sugestão da lista, o flor de tieta reúne salame ao vinagrete de queijo e duas empadas, uma de bacalhau e outra de camarão (R$ 21,00). Jô, que conta com apenas um ajudante, também responde pelas bebidas e capricha na elaboração das caipiroscas de ameixa, kiwi, manga ou banana (R$ 7,00 cada uma).




Uma matéria bastante interessante sobre Joãozinho da Gomeia vocês não podem deixar de ler...


João Alves Torres Filho
Nasceu em 27 de março de 1914 em Inhambupe, Bahia. Sua família era católica e chegou a ser coroinha da paróquia de sua cidade. Mas o menino parecia realmente já vir predestinado a vivenciar o mundo das tradições religiosas afro-brasileiras, mesmo antes de se iniciar em uma casa de culto.

Na pequena cidade onde nasceu, distante 153 km da capital, aos 10 anos já demonstrava sua forte personalidade, como bom filho de lansã. Aos 17, deixou a família e rumou para Salvador, onde fez de tudo para sobreviver. No armazém onde trabalhou, conheceu uma senhora que muito lhe ajudou e que considerava como sua madrinha. Foi ela quem o levou ao terreiro de Severiano Manuel de Abreu, que recebia a entidade conhecida como Caboclo Jubiabá. 

MESMO CONSCIENTE DA GENEALOGIA E HIERARQUIA DOS DEMAIS TERREIROS, CONSEGUIU IMPOR SUA AUTORIDADE E SE LEGITIMOU AO LONGO DOS ANOS

Uma das muitas histórias que se conta sobre sua iniciação é o fato de Joãozinho sofrer de fortes dores de cabeça sem explicação ou cura por meio da medicina.
Assim que se realizou sua feitura, as dores de cabeça cessaram; teriam sido apenas um aviso de que o menino já vinha com o destino traçado pelos Orixás, que cobravam sua iniciação.
Em torno da figura de Joãozinho da Goméia sempre houve muita polêmica; para muitos, que buscavam formas de criticá-lo, sequer teria sido "feito". Mas há filhas-de-santo de Pai Joãozinho que contam todo o seu processo de iniciação. Uma delas, aos 92 anos declarou ao jornal Correio da Bahia que tinha dúvidas de que, se ele fosse vivo, alguém tivesse coragem de contradizêIo.
O INÍCIO DA TRAJETÓRIA EM SALVADOR

Após a feitura de santo com Severiano Manuel, aos 18 anos Joãozinho já tinha seu terreiro, onde mantinha os padrões do Candomblé de Caboclo e Angola, cultuando Orixás, Encantados e Espíritos de ameríndios. Com a morte de seu Pai-de-Santo, segundo alguns relatos, Joãozinho "refaz" o santo no terreiro do Gantois com Mãe Menininha, de Nação Keto. Começa então a polêmica que cercaria toda a vida de Joãozinho em relação a seus trabalhos no Candomblé a mistura de Nações. 

Mas "Seu" João da Pedra Preta foi de fato importante para a consagração do culto de Candomblé Angola e sua popularização. Intelectuais como Jorge Amado e Édison Carneiro projetaram o Terreiro da Goméia para o resto do Brasil. Joãozinho foi importante colaborador de Édison Carneiro durante a realização do II Congresso Afro-Brasileiro, realizado em 1937, em Salvador. Segundo o escritor e pesquisador das tradições africanas, Joãozinho era, aos 24 anos, um Pai-de-Santo que se destacava no ambiente conservador da época. Mesmo consciente da genealogia e hierarquia dos demais terreiros, con¬seguiu impor sua autoridade e seu nome se legitimou ao longo dos anos. 
Com relação às polêmicas levantadas por alguns pesquisadores, ou mesmo pais e mães-de-santo da época em torno de sua iniciação e de seus trabalhos como sacerdote pelo fato dele, em seu culto, incorporar também entidades ameríndias - Caboclos e Encantados, assim escreveu a pesquisadora americana Ruth Landes em seu livro 'A Cidade das Mulheres':


"Caboclos não são Orixás, mas Espíritos Encantados, originários das religiões indígenas, sem relação com a África". Os chamados Candomblés de Caboclo eram desprezados pelos povos de Keto sob a alegação de que era preciso preservar a pureza com relação às raízes africanas. Mas a associação e a permanência dos Caboclos nos cultos de Angola não se devia à "falta de pureza" africana. O povo Bantu também tem suas tradições, sendo que a mais forte em sua religiosidade é o Culto aos Ancestrais. Foi para preservar a ancestralidade dos donos da terra - os índios, que esse povo incorporou em seus cultos os Caboclos. Outra citação preconceituosa de Landes: "Há um simpático e jovem pai Congo, chamado João, que quase nada sabe e que ninguém leva a sério, nem mesmo as suas filhas-de-santo ( ... ); mas é um excelente dançarino e tem certo encanto. Todos sabem que é homossexual, pois espicha os cabelos compridos e duros e isso é blasfemo. - Qual! Como se pode deixar que um ferro quente toque a cabeça onde habita um santo!"

AINDA É
SURPREENDENTE HOJE OUVIR FALAR DE UM SACERDOTE DO RITO ANGOLA SENDO LEMBRADO
COM TANTO CARINHO PELO POVO DE SANTO


Mas o que incomodava os sacerdotes em Joãozinho era a sua visão de futuro e sua grande contribuição para o crescimento e aceitação do Candomblé em outras áreas da sociedade, como as classes artística e política. Foi um homem que soube muito bem usar sua imagem à frente do tempo, divulgando a si mesmo e a sua roça.
Quantas vezes Joãozinho não afrontou sacerdotes e sacerdotisas ao se apresentar em público com seu Orixá, atitude não aceita e proibidíssima, mas que tornou sua dança famosa e fez dele um bailarino respeitado. Homossexual assumido, não se envergonhava diante de toda a repressão que havia naquelas primeiras décadas do século XX.
 Em seu Candomblé Joãozinho era conhecido por incorporar o Caboclo Pedra Preta, entidade indígena. Era praticante do culto de Angola, e jovem ainda enfrentou a supremacia dos cultos Jeje e Nagô na antiga Salvador. Foi também por ser tão jovem e desafiador que acabou provocando nas tradicionais Mães-de-Santo baianas um sentimento de repulsa a seu trabalho - aos 26 anos de idade já havia assumido a chefia de seu terreiro, o primeiro, que ficava na Ladeira da Pedra. Logo depois, mudou-se para a rua que o tornaria famoso - a Rua da Goméia - que ficava no bairro de São Caetano, Cidade Baixa, onde tocava Angola e Keto, o que aumentava ainda mais o desprezo por seu nome. 

Mas a verdade é que Joãozinho da Goméia se tornou um Pai-de-Santo famoso em uma cidade dominada pelas mulheres, e em torno de sua trajetória criou-se muita lenda. Mas sempre foi muito respeitado por seus inúmeros filhos-de-santo, com quem sempre foi muito rígido e autoritário.

Segundo Edison Carneiro, escritor e pesquisador das tradições africanas, Joãozinho era, aos 24 anos, um Pai-de-Santo que se destacava no ambiente conservador da época.
Joãozinho em seu terreiro na Gomeia  entre as décadas de 1930 e 1940 em um ritual de Candomblé Angola

O QUE INCOMODAVA OS SACERDOTES EM JOÃOZINHO ERA A SUA VISÃO DE FUTURO E SUA GRANDE CONTRIBUIÇÃO PARA O CRESCIMENTO E ACEITAÇÃO DO CANDOMBLÉ EM OUTRAS ÁREAS DA SOCIEDADE, COMO AS CLASSES ARTÍSTICA E POLÍTICA.


Sua fama como Pai-de-Santo atingiu realmente o auge com a mudança para o Rio de janeiro, onde se instalou na cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ainda é surpreendente hoje ouvir falar de um sacerdote do Rito Angola sendo lembrado com tanto carinho pelo povo de santo. Sua voz rouca, firme e afinada, saudava de Exu a Oxalá, e foi o mais importante agente na época em que começou a divulgação de termos usados no Candomblé por meio da mídia e das artes, que sempre foram seus grandes aliados. Ao ir para a região Sudeste com seu culto, Joãozinho da Goméia sabia da importância e das vantagens de tornar conhecidos os cultos afro-brasileiros. E sua influência se estendeu para outros estados; segundo pesquisa realizada em 1983, dos 24 mais antigos terreiros da capital e do litoral paulistas, oito haviam sido fundados por seus filhos e filhas-de-santo. 
Da década de 1950 em diante Joãozinho já era muito famoso no Rio de Janeiro e, até sua morte, em 1971, era o Pai-de-Santo mais conhecido do Brasil. Apesar de tudo, nunca con-seguiu ser unanimidade entre o povo de santo - para muitos era um transgressor das ordens do culto e falava demais, características de um filho dos Orixás guerreiros Oxossi e lansã. 
Há uma passagem que ficou fortemente marcada em sua trajetória desafiadora aos costumes da época o Carnaval de 1956, quando saiu pelas ruas fantasiado de "vedete Arlete" e foi duramente criticado e repreendido pelas maes-de-santo da Bahia e pela Federação Umbandista do Rio de janeiro, o que acabou lhe rendendo uma matéria na revista "O Cruzeiro", cujo título era: "Joãozinho da Goméia no Tribunal da “Umbanda". Em entrevista, o polêmico pai-de-santo de¬monstrou sua forte personalidade ao repórter, ao ser perguntado se sua atitude ao sair fantasiado de vedete não chocava os regulamentos do Candomblé. - "De nenhuma maneira. Primeiro, porque antes de brincar pedi licen?a ao meu "Guia", segundo, porque o fato de ter me fantasiado de mulher não implica em desrespeito ao meu culto, que é democrático. Os Orixás sabem que somos feitos de carne e osso e toleram superiormente as inerências da nossa condição humana, desde que não abusemos do Iivre arbítrio".
 Com relação as lalorixás baianas, Joãozinho se referia a todas com certo rancor, por nunca terem aceitado sua condição como importante sacerdote do culto. A única a quem se referia com mais respeito era Mãe Menininha, pois sempre manteve um relacionamento um pouco melhor com ela. Sobre Mãe Senhora, na época poderosa sacerdotisa do lIê Axé Opô Afonjá, certa vez disse: "Conheço Senhora, mas nunca tive maior contato com ela, e não lhe sou simpático. É um tipo de mulher muito orgulhosa; não é bem orgulho, é um pouco de ignorância ... ". 

Joãozinho estabeleceu-se definitivamente no Rio de Janeiro em 1946, com apenas 32 anos de idade, quando já era bastante conhecido na Bahia. Sua festa de despedida foi assunto comentadíssimo na época - montou, no Teatro jandaia, um espetáculo com danças típicas do Candomblé, apresentando-se como um excelente bailarino. 
Nem é preciso dizer que essa comemoração também acabou gerando controvérsia no meio do povo de santo, que sempre criticava os "desmandos" do babalorixá-artista. Mas, segundo relatou o próprio Joãozinho a um jornal carioca, sua mudança para o Rio se deu por acaso, quando foi à cidade de Duque de Caxias para "dar comida" ao santo na casa de uma de suas filhas. "Depois de concluído o ritual, voltei para a Bahia, mas não tive sossego; os amigos insistiam para que eu voltasse ao Rio e não tive outra saída senão mudar de vez para Caxias. Cheguei, gostei e fui ficando". Naquele momento, a Baixada Fluminense estava se tornando um grande reduto de terreiros dedicados aos cultos afro-brasileiros. Mas, como tudo a respeito de joãozinho da Goméia, sobre a sua mudança para o Rio de janeiro também pairam outras histórias. Uma delas diz que, ao desafiar seu Caboclo que o avisara que aquele não era o momento certo de mudar-se para o Rio, acabou dando tudo errado e ele chegou a ser preso, tendo que voltar para a Bahia. Ele esperou então, até que o Caboclo disse: ':Agora é a hora". Joãozinho foi definitivamente para o Rio e se deu bem. Na verdade, muitas histórias se construíram em torno do mito e ficou difícil desassociar a figura de Pai-de-Santo do lendário "joãozinho d
a Goméia". 

Assim que fundou seu terreiro em Duque de Caxias, toda a beleza e riqueza de seus rituais chamaram a atenção. Várias pessoas passaram a freqüentar sua casa, e não só o povo de santo - todos, dos mais diferentes segmentos sociais, queriam aprender mais sobre o Candomblé. Joãozinho tornou-se famoso e tinha uma clientela que vinha das mais altas camadas da sociedade carioca. Nas festas mais importantes sempre havia uma área nobre dedicada a receber os mais influentes - políticos da Baixada Fluminense. Conta-se que na época, até a sogra de Juscelino Kubitschek frequentou suas festas. A exemplo dos políticos, muitos artistas também passaram a se interessar pelo Candomblé e a frequentar sua casa, pois ele próprio, fora das atividades religiosas, também era um artista e participou de diversos shows folclóricos como dançarino no Cassino da Urca, mostrando aos que não conheciam as danças sagradas dos Orixás. Em todos os relatos conhecidos, Joãozinho sempre foi muito elogiado como bailarino.
Com a chegada de Joãozinho da Goméia ao Rio de janeiro, a Nação Angola se viu devidamente instalada em Caxias, ganhando sua merecida importância. Mesmo para aqueles que nunca aceitaram ou simpatizaram com ele, admitem que foi o grande respons?vel pela expansão do Candomblé no Sudeste, a partir de 1950. Formou milhares de filhos-de-santo que fundaram seus próprios terreiros em São Paulo e no Rio de janeiro. Até hoje essas casas têm orgulho em dizer que são da raiz da Goméia:
Hoje em dia a verdadeira Goméia não existe mais. Depois de sua morte, em 1971, o terreiro em Salvador, no bairro de São Caetano e o de Duque de Caxias, não foram mantidos. O Caboclo Pedra Preta, sua entidade mais famosa, não teve um sucessor para representá-Io.
Seus problemas de saúde começaram em 1966, quando teve um derrame cerebral; talvez já fosse uma manifestação do tumor que o levaria à morte em 1971. Mas, segundo os membros de sua casa, a proximidade de sua morte já havia sido anunciada, mas não identificada a tempo. Na última festa que fez para lansã, esta teria relutado muito para se manifestar. Isso aconteceu também diversas vezes com o Caboclo Pedra Preta, que por quatro vezes sacudiu Joãozinho, mas não incorporou. Isso aconteceu pouco antes de sua viagem para São Paulo, onde viria a fazer sua passagem, durante cirurgia para retirada de um tumor cerebral. Quanto à cirurgia, Joãozinho havia concordado, pois, segundo filhas-de-santo que estiveram ao seu Jado durante a luta contra a doen?a, Pai Joãozinho desejava que se cumprisse a vontade de Deus. 
A descendência de Joãozinho da Goméia ? maior no Rio e em São Paulo do que na Bahia. Após sua morte, o terreiro em Duque de Caxias passou por uma disputa de poder - uma menina de dez anos teria sido indicada para dar continuidade à Casa. Houve divergência interna e o terreiro acabou extinto. Em Salvador, na Rua da Goméia, o lugar onde ergueu sua roça foi tomado por uma imensa caixa d'água de concreto, instala¬da pela companhia de saneamento básico da cidade. Mas as lembran?as do "Pai da Goméia" continuam vivas para os mora¬dores mais antigos, e sua memória continua preservada nas muitas histórias contadas a seu respeito, por aqueles que o conheceram bem de perto. 

Joãozinho dança para os Deuses 

O terreiro de Joãozinho da Goméia em dia de festa se transformava em uma maravilhosa passarela por onde desfilavam suas filhas-de-santo: imponentes senhoras, orgulhosas com seus belos torços na cabeça e suas longas e rodadas saias brancas. 
No grande salão, decorado com bandeirinhas e muitas luzes, havia um mezanino somente para gente ilustre, sempre repleto de autoridades e convidados, todos esperando o momento da triunfal entrada de joãozinho da Goméia - o Rei do Candomblé, com sua bela lansã, a rainha dos ventos, raios e tempestades. A entrada do sacerdote no salão empolgava todos os presentes: Ele vinha dançando maravilhosamente, com uma bacia de fogo na cabeça. 
laôs, Ogans e atabaques, que batem seu ritmo de chamada aos deuses africanos, vibram enquanto as filhas-de-santo entram em transe, são recolhidas à camarinha e voltam ricamente vestidas e adornadas, representando suas divindades. 
A festa no mezanino - espécie de tribuna, era regada a pratos típicos baianos, petit fours, doces e champanhe. A casa de Joãozinho era um ponto de encontro de gen¬te importante na sociedade cario¬ca da época, e cada convidado levava sempre o melhor presente para mostrar que era frequentador da "Casa da Goméia".


Joãozinho dança em transe, com a bela paramentação da deusa lansã

Segundo uma filha-de-santo de Joãozinho da Goméia, no início de sua atuação como pai-de-santo, ainda muito jovem, aos 18 anos, este tinha verdadeiro temor de seu Caboclo Pedra Preta. 
Certa vez, ainda em Salvador, quando vinha descendo a ladeira de uma rua perto da casa de Jubiabá, o Caboclo Pedra Preta começa a falar com Joãozinho instruindo-o sobre as ordens do dia. O babalorixá, apavorado, começou a correr, gritando coisas sem nexo. Seu pai-de-santo, jubiabá, vendo a cena segura João pelo braço e o chama à razão, levando-o para dentro da casa de culto em que havia sido feito no intuito de acalmá-lo. 
Nas festas em seu terreiro, antes de ter início o toque, uma filha-de-santo trazia sempre uma botija de água e um prato com farofa de azeite que era posto no chão no meio do terreiro. Era o chamado despacho de Exu, ou o Ipadê de Exu, acompanhado de três ou sete pontos, ritual indispensável para que o homem das encruzilhadas não atrapalhasse a festa.
Houve um movimento interessante no início da década de 60 no Brasil: foi uma urgência na busca incansável por símbolos nacionais, e o que se desejava naquele momento eram símbolos afro-brasileiros. "Fazer santo", tanto em Salvador quanto no Rio de ja¬neiro era moda, e não podia ser em qualquer bairro não, tinha de ser no centro da cidade de Salvador por mães e pais de santos reconhecidos nacionalmente, e na Baixada Fluminense, prefe-rencialmente no terreiro de Joãozinho da Goméia, em Duque de Caxias. 

De meados dos anos 50 até o começo dos 60, Joãozinho da Goméia, que havia muitos anos, transferira sua roça de Salvador para Caxias, no Rio de Janeiro, visitava constantemente São Paulo onde era amigo de influentes líderes umbandistas. Muitos dos primeiros personagens do Candomblé de São Paulo foram por ele iniciados ("feitos", na linguagem de santo). E feitos aqui em São Paulo, embora este primeiro começo tenha contado também com filhos de Joãozinho feitos na Goméia do Rio e na originária Goméia da Bahia. Linhagem e Legitimidade no Candomblé Paulista - Reginaldo Prandi
Édison Carneiro praticamente projetou o nome de Joãozinho da Goméia, nos apontando para um fato interessante: a troca de favores, muito comum às casas de culto tradicionais baianas. Em troca de uma entrada fácil e uma conscientização clara das coisas do Candomblé, que interessariam ao jovem pesquisador aprender para que auxiliassem seu trabalho como jornalista e etnólogo, este deveria divulgar o "bom nome" de João da Goméia, tornando sua casa de culto conhecida entre os inte¬lectuais, estrangeiros e o povo do santo. 

Uma curiosidade: Eram colados nas paredes dos mercadinhos de Nilópolis, Nova Iguaçu e Duque de Caxias papéis e cartazes onde se divulgava todo o calendário semanal do terreiro de Joãozinho, como por exemplo: Segunda-feira: dia de distribuições de sopas e agasalhos aos pobres, festa para Obaluaiê e Gira para Exus. Quinta-feira: dia de festa à lansã, Oxossi e Ogum. Sexta e Sábado: Festas de confirmação de laôs e atendimento médico, sábado à tarde. A comunidade aparecia em peso, e mesmo os que não freqüenta-vam o Candomblé iam para ver as festas.

Segundo a Mãe Criadeira da Goméia, Joãozinho possuía uma espécie de diário onde Iistava os contribuintes de seu terreiro, dando à sua casa de culto a personificação de uma instituição. Grande parte daqueles que freqüentavam não eram filhos-de-santo, e sim pessoas que estavam naquele momento fascinadas pelo grande movimento de popularização do Candomblé na cidade do Rio de janeiro. A noção de pertencimento ao culto dos Orixás era visível no terreiro da Goméia, era uma espécie de associação mística ao cam-po religioso, em que os laços de associação do indivíduo com a forma de culto se redefinia a cada divulgação das festas de Candomblé, tanto na imprensa carioca como nos mercados populares da Baixada Fluminense. 

Dentro do Enredo do Carnaval 2007, em que a Acadêmicos do Grande Rio homenageou a cidade de Duque de Caxias, Joãozinho da Goméia foi tema quarto setor da escola - 'A fé de um po valente', que contou sua trajetória popularizador dos cultos afro-brasileiros no Rio de janeiro, especialmente na Baixada Fluminense. "Sua transferência para Duque de Caxias fez com que sua fama como pai-de-santo atingisse contornos nacionais"

1971 MORRE O GRANDE BABALORIXÁ JOÃOZINHO DA GOMÉIA 
O dia em que o Candomblé chorou!
19 de março de 1971 - o dia da semana era sexta-feira, fatídico para alguns, benéfico para outros. O local, Rua General Rondon, 360, bairro Copacabana, no município de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Já passava das nove horas e o relógio em breve faria soar as dez badaladas. De repente, um silêncio se faz sentir; as poucas pessoas que ali se encontravam se entreolham assustadas. Parecem hipnotizadas, presas ao chão. Na face de cada uma, a palidez, o medo. 
No enorme galpão, uma imagem de lansã se desprende da parede atrás de uma imponente cadeira. Cai ao chão e a deusa se desfaz em dezenas de pedaços. Um vento frio sopra e redemoinhos se formam levantando poeira; o céu se cobre de nuvens pretas como se vestisse luto, onde antes brilhava o solou se via o azul. 
O vento uivante aumenta de intensidade e as pessoas começam a se mexer. Muitos diriam, depois, que os gemidos do vento mais pareciam lamentos de Omolu, o guardião dos cemitérios. 
Assustados e talvez adivinhando as razões de tão estranhas manifestações da Mãe Natureza, alguns correm ao pátio: o pé de jurema, a árvore sagrada, começa a murchar, a canjica azeda minutos depois de colocada aos pés do Orixá. Nesse instante todos tiveram conhecimento do que estava ocorrendo e lágrima silenciosas começaram a descer nas faces negras e a molhar as vestes brancas. Os atabaques gemeram e choraram e, no gemido de seu couro, transmitiram ao Céu e à Terra os lamentos de uma dor que se espalharia por todo o Brasil. 
Tudo isso se passou na roça de joãozinho da Goméia. No mesmo instante, a 400 quilômetros de distância, o Rei do Candomblé, maior propagador dos ritos afro-brasileiros, mais antigo e respeitado sacerdote do Brasil, deixava o mundo dos vivos, desencarnara e partira para o Reino de Oxalá - o Pai Supremo. 
São Paulo, Hospital das Clínicas, 9 horas e 50 minutos, sexta-feira. Num leito branco, um homem moreno, forte, grandalhão e de finos traços trava uma batalha com a morte. Seu rosto é tranqüilo, aparentando uma enorme paz interior. Nas têmporas, os cabelos ralos já agasalham a neve dos anos que sobre eles passaram: retratam as dores, os sacrifícios, as lutas e os sofrimentos.
Ao seu lado os médicos se empenham para impedir os desígnios da morte, que quer levar mais um tributo e eles não concordam. O combate é desigual: de um lado, os fracos conhecimentos e as desvalidas forças do ser humano; do outro, os misteriosos poderes extraterrenos. 
A luta é árdua; há muitas horas o combate se trava num vaivém irritante. Em momentos, parece que os médicos conseguirão enganar a morte; em outros, a vitória pende para esta. De um lado, os médicos de branco, cor tão querida e amada por aquele homem que ali se encontra sem 
poder participar da batalha. Ele, que durante toda a vida foi um valente que nunca fugiu à luta, não sabe que do outro lado o espectro da morte tenta arrebatar-lhe a vida, a alma. Seu espírito, este sim está vendo tudo, sabe até o destino que lhe é reservado, só que não pode intervir. Ele, o espírito, o motivo da batalha, dela não pode participar. Altos desígnios, mais fortes do que ele, presidem todos os detalhes do combate. Como humilde servidor desses desígnios, só lhe cabe apreciar os lances. Mesmo sabendo que no final o prêmio do vencedor será ele próprio.
A batalha chega ao fim - João Alves Torres Filho, o doente que os médicos não conseguiram salvar - talvez porque Oxalá houvesse decidido em contrário¬entrega sua alma ao Mestre Supremo. 
Joãozinho da Goméia morreu aos 57 anos, 40 dos quais dedicados ao Candomblé. Desencarnou no dia de São José, oito dias antes de completar 57 anos. Por estranha coincidência, no dia de sua morte sua roça em Duque de Caixas iria promover o Lorogun - uma das grandes cerimônias do Candomblé que significa o fechamento do terreiro para o período da Quaresma.
Em dezembro ele pretendia promover uma grande festa para lansã, sua protetora. Oxalá, porém, decidiu que sua missão na Terra estava terminada. Quando seus filhos-de-santo receberam a notícia de sua morte, o pranto e a dor tomaram conta de todos. Uma histeria coletiva jamais vista fora de um terreiro levou quase à loucura milhares de pessoas que se aglomeravam em frente ao hospital. Mulheres choravam, entravam em transe, desmaiavam; os homens murmuravam preces por sua alma e gritavam: - Pai, me leva com você! Ao se confirmar a triste verdade, os atabaques começaram a marcar em toques fúnebres, anunciando a dor da perda irreparáveI. Todos ficaram inconsoláveis, mas mesmo assim lembraram de render tributo a Oxalá, pedindo que recebesse o filho amado de braços abertos. Para eles, o grande sacerdote apenas desencarnara, ganhando uma estrada de estrelas para chegar ao Reino de Oxalá.Há muito Joãozinho da Goméia se encontrava doente, e nos últimos meses queixava-se de fortes dores de cabeça. Os médicos encontraram a causa das terríveis dores do Rei do Candomblé: Na parte frontal da cabeça, em local de difícil exploração, formara-se um tumor, e sua localização tornava perigosa qualquer intervenção cirúrgica. Após comunicarlhe os perigos que correria, indagaram se deviam ou não operá-Io. Joãozinho não pensou nem um segundo para responder: - Podem operar, seja feita a vontade de Deus.Às 8 horas e 15 minutos de sábado o corpo foi liberado para o transporte ao Rio de janeiro. No carro funerário foi o corpo, atrás caravanas de I 5 federações de São Paulo e dezenas de carros de fiéis. O motorista diria depois: - Em 19 anos de profissão, nunca vi tanta gente acompanhar um corpo. 
"Se eu morrer, quero que todos os meus filhos-de-santo continuem fazendo caridade. E que se esforcem para que o Candomblé do Brasil seja, cada vez mais, encarado com seriedade e respeitado por todo o mundo".


DEPOIS DE SUA MORTE, O TERREIRO EM SALVADOR, NO BAIRRO DE SÃO CAETANO E O DE DUQUE DE CAIXAS, NA BAIXADA FLUMINENSE NÃO FORAM MANTIDOS. O CABOCLO PEDRA PRETA, SUA ENTIDADE MAIS FAMOSA, NÃO TEVE UM SUCESSOR PARA REPRESENTÁ-LO.

Disponivel em <http://www.oriaxe.com.br/especialjoaodagomeia.htm> acesso 22.07.2013.