Nesse blog você vai ter a
oportunidade de conhecer um pouco sobre a história do bairro do São Caetano
além de suas adjacências, sua importância para cidade e sua situação
atualmente. Além de entrevistas com moradores da Rua Nova Brejal que para
alguns moradores esta localizada no bairro do São Caetano e outros no bairro do
Largo do Tanque ou Alto do Peru.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Falando um pouquinho sobre a cidade de Salvador-Ba
Disponível em http://www.vejanomapa.com.br/elevador-lacerda-salvador-ba
A cidade de Salvador
está localizada na Baia de Todos os Santos, é sabido que por esse motivo foi
escolhida como capital do país durante o processo de colonização, pois estava
situada em um ponto estratégico que propiciava a exportação do Pau- Brasil. Foi
no século XV que a Cidade do Salvador foi fundada.
Vale lembrar que antes
da colonização Salvador era habitada pelos
índios tupinambá, com mudanças ocorridas na economia muda-se também a capital
do país.
Atualmente Salvador é reconhecida pela sua comida, suas festas de rua
como o carnaval que atrai milhares de pessoas para a cidade, além de grandes
problemas na estrutura urbana da cidade, transito caótico, falta de
pavimentação em alguns pontos da cidade, etc.
Qual a ligação no contexto histórico entre o bairro da Liberdade e a Estrada das Boiadas?
Imagem 2-
Disponível
em http://stravaganzastravaganza.blogspot.com.br/2011/04/historia-da-criacao-de-gado-na-bahia.html
A estrada das boiadas
era uma estrada de barro com areia que era passagem para os bois, era a
principal estrada de ligação entre Feira de Santana e a cidade. As boiadas
faziam o seguinte percurso: vinham de Feira de Santana passavam por Pirajá e
pela estrada das boiadas para conseguir descer para a Areia do Canto da Cruz, a
caminho do Retiro onde ficavam localizadas terras que serviam para enterrar as
redes doentes e restos da matança dos bois. Além desse percurso tinha também o
da Calçada, San Martin, pela Baixa dos Sapateiros passando pela Lapinha outra
opção era passar pela cidade Baixa e subir pelo Largo do Tanque.
A estrada das boiadas
era uma importante via de acesso a cidade de Salvador e o Recôncavo, além de
ser caminho para entrada e saída de diversas mercadorias que abastecia a
cidade.
Além disso, o bairro da
Liberdade tem ligação com a Independência da Bahia, já que as tropas marcharam
pela Estrada dos Bois, para lutar pela expulsão definitiva dos portugueses,
assim depois de ser consolidado com ponto importante para a Independência da
Bahia o bairro foi rebatizado de Liberdade. É sabido que o povoamento desde
região ocorreu após a abolição com a chegada de ex-escravos para habitar o
local.
Atualmente o bairro da
Liberdade concentra uma população majoritariamente negra, alem de concentrar
diversas lojas, bancos, supermercados e ambulantes. A Liberdade conta com o
Afoxé Ilê Ayiê, o qual oferta diversos cursos a população da região.
Imagem 3
Disponível em http://oprofessorweb.wordpress.com/2010/10/28/origens-dos-bairros/
Disponível em http://oprofessorweb.wordpress.com/2010/10/28/origens-dos-bairros/
Imagem
4
Disponível em
http://www.obaoba.com.br/salvador/outros/pero-vaz/senzala-do-barro-preto
Quem foi São Caetano?
Caetano nasceu no ano de 1940, na cidade de Vicenza localizada na Itália,
fazia parte de uma família de nobres, quem deu esse nome a Caetano foi seu pai,
na sua família já tinha outra pessoa que recebera esse mesmo nome seu tio que
também se chamava Caetano Thiene. Caetano, assim como seu tio estudou na
universidade de Pádua, que aos vinte e dois anos foi laureando em direito civil
e canônico pela universidade. Logo depois se mudou com seu irmão para Rampazzo,
criando um bom relacionamento com os camponeses, mais tarde trabalhou na corte
pontifícia apostólica do Papa Julio II e depois Leão X. Percebendo os problemas
ocorridos dentro da igreja em relação a corrupções Caetano percebeu que a
igreja necessitava de uma reforma criando o tema “Renovar, Renovando-se”, em
1516, Caetano foi ordenado sacerdote, sua primeira missa foi realiza na
Basílica de Santa Maria Maior Em Roma, estava com trinta e seis anos de idade.
Depois Caetano relatou que Nossa senhora apareceu-lhe e colocou-lhes nos
barcos O menino Jesus. Em 1520, foi para Veneza, onde ajudou na fundação do
hospital dos incuráveis.
Fazia parte também de um grupo que era composta por leigos, sacerdotes e bispo,
chamado Oratório do Divino Amor, o objetivo era ouvir a Palavra de Deus
realizando reflexões.
Caetano faleceu no dia 07 de agosto de 1547 em Nápoles, no ano de 1671
foi canonizado e seu corpo esta sepultado na Basílica de São Paulo Maior
(Nápoles).
A Paróquia São Caetano, foi fundada no ano de 1972, em homenagem a São
Caetano de Thiene.
Como o bairro ganhou esse nome?
Disponível em http://www.ub.edu/geocrit/b3w-938.htm
Durante pesquisa realizada encontrei um relato que diz que na região do bairro São Caetano, morava um homem que fez uma
promessa ao santo São Caetano para melhorar de um problema na visão, ele
conseguiu alcançar o seu pedido e em agradecimento mandou construir a capela,
por isso o bairro ganhou esse nome.
A história do bairro do São Caetano e sua importância para a cidade.
Imagem 5
Disponível em http://oprofessorweb.wordpress.com/2010/11/18/bairro-do-sao-caetano/
Pesquisando a história do bairro São Caetano descobrir que essa região era uma fazenda chamada Agomé, porém em
outros documentos dizem que existia duas fazendas Boa Esperança e Cruzeiro do
Sul, o que sabemos com base nas pesquisas que de fato essa região era formada por fazendas.
O São Caetano foi um
dos últimos locais habitados pelos portugueses antes da batalha da
Independência da Bahia.
Após a batalha a região
começou a crescer graças à estrada que ligava Feira de Santana a cidade depois
veio à pavimentação das ruas devido à intervenção de Juracy Magalhães.
É Importante destacar
que o sub-distrito de São Caetano é uma continuação do sub-distrito de Santo
Antônio, esses sub-distrito tiveram suas origens nas antigas freguesias. O
sub-distrito de São Caetano tem uma topografia um pouco mais acidentada e
estabelece ligações com o sub-distrito de Pirajá, Valéria e São Cristóvão.
O bairro de São Caetano
tem ligação com a estrada das boiadas já que por ali também passava bois
sentido Pirajá - Feira de Santana e voltando Recôncavo - Salvador.
Avançando na historia
quando buscamos informações sobre comunidades religiosas que tinha no bairro do
São Caetano encontramos informações que mais ou menos no ano de 1936, vários
intelectuais do período visitaram os terreiros de candomblé, como o terreiro de
João da Pedra Preta ou Joãozinho da Goméia. João da Pedra Preta era um dos mais
novo pai de santo tinha dezoito anos já possuía o terreno, para Joãozinho o seu
terreiro era o mais apropriado para a realização de cultos do candomblé, seu
terreiro era um simples galpão coberto por telhas.
Atualmente o bairro do
São Caetano é um dos maiores bairros da cidade de Salvador, continua tendo
estradas que fazem diversas ligações com outros bairros da cidade como o bairro
do Largo do Tanque, Alto do Peru, Fazenda Grande do Retiro, Campinas de Pirajá,
etc. O bairro do São Caetano é dividido em Camurugipe, Largo da Argeral,
Sussunga, Jaqueira, Gorrô, Formiga, Gomeia e Centro. O Bairro conta ainda com
outros bairros Capelinha do São Caetano, Boa Vista do São Caetano.
O bairro foi crescendo
tanto que hoje tem variadas lojas, supermercados, drogarias, lotérica, diversas
escolas como os colégios Luis Pinto de Carvalho, Des. Pedro Ribeiro, José
Barreto, Edison Carneiro, Assis Chateaubriand, etc., além de contar com uma
delegacia a 4ª Delegacia e posto de saúde.
O bairro conta ainda com a Estrada Velha que
no passado era o inicio da Estrada Velha do Aeroporto. São Caetano possui
também um parque S.S. Schindler abriga uma escola de primeiro grau, onde oferta
consultas médicas, além de cursos profissionalizantes.
Imagem-http://www.arquidiocesesalvador.org.br/
Fique informado:
O bairro do São Caetano sua ocupação está ligada ao êxodo rural, já que muitas famílias, pessoas, deixavam sua cidade de origem à procura de melhores condições de trabalho e renda familiar.
O bairro do São Caetano sua ocupação está ligada ao êxodo rural, já que muitas famílias, pessoas, deixavam sua cidade de origem à procura de melhores condições de trabalho e renda familiar.
Como surgiu o bairro Alto do Peru?
Muitas pessoas que
habitam no bairro ou próximo a ele nem sabem que o quanto o mesmo foi
importante na historia da cidade, já que o bairro Alto do Peru já foi uma
entrada da cidade, pois tinha uma trilha que realizava a ligação São Caetano a
Campinas de Pirajá, essa trilha resultou na rua asfaltada que conhecemos como
Rua do Oriente. Nesse percurso resultou no surgimento de várias transversais
como: A Fonte do Capim, Sussunga Velha e Sussunga Nova e Brejal sendo essa a
rua onde moro.
O bairro ganhou esse
nome, pois no final da década de 40, um grupo de índios peruanos ocupou uma
fazenda que tinha nessa localidade, por esse motivo o bairro recebeu o nome de
Alto do Peru.
Pesquisando sobre o
bairro podemos encontrar relatos de morados como Luiz da Cruz Parente, no qual
diz que tanto o bairro Alto do Peu, como a Fazenda Grande, São Caetano, Largo
do Tanque, Baixa do Fiscal, San Martin, Curuzu e até mesmo a Suburbana
pertencia à família Catharino Gordilho.
A família Catharino Gordilho, era dona da tecelagem União Fabril, no
qual seus funcionários começaram a habitar também o bairro Alto do Peru.
O bairro Alto do Peru
foi utilizava pelos portugueses para vigiar o mar contra os holandeses já que
era um ponto alto da cidade que ficava localizado próximo ao mar, como conta
relatos da história.
O bairro Alto do Peru
hoje fica localizado entre os bairros da Fazenda Grande e São Caetano, tendo
como rua principal a Rua do Oriente. Atualmente no bairro temos localizado a
Embasa- Empresa Baiana de Águas e Saneamento, além do Centro Social Urbano Dom
Lucas Moreira Neves, o qual oferece cursos aos moradores da localidade, além da
Igreja de Guadalupe, Padroeira das Américas.
Porém, o bairro não
conta com uma escola para atender os moradores, tendo também problemas
referentes ao transporte público já que só uma linha de ônibus atende essa
localidade e segurança pública, os moradores da região reclamam da omissão dos
órgãos públicos em relação ao bairro.
Qual a significado do nome Pirajá?
Imagem 6-
Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Piraj%C3%A1_(Salvador)
Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Piraj%C3%A1_(Salvador)
Na etimologia (pará
+já), significa na língua tupi pira-ya ou vivendo de peixes, esse nome deve ter
sido dado pelos índios tupinambá que habitavam a região.
Pirajá e sua ligação com a Independência da Bahia
Imagem 7-
Disponível em http://cliqueurbano.blogspot.com.br/2010/06/parque-de-pituacu-praca-general-labatut.html
Disponível em http://cliqueurbano.blogspot.com.br/2010/06/parque-de-pituacu-praca-general-labatut.html
Quando falamos sobre o
bairro de Pirajá para entender seu surgimento temos que retornar ao passado.
Nessa região havia uma aldeia chamada de tupinambá, segundo o autor Theodoro
Sampaio, antes mesmo da fundação da cidade em 1536 um donatário concedeu uma
sesmaria ao senhor João Veloso na região de Pirajá. Já no ano de 1540 os índios
destruíram o engenho de Veloso, no ano de 1555 o engenho de Pirajá foi sitiado
pelos índios, com isso ocorreu à criação de um engenho publico que atendessem
aos pobres, lavradores, etc.
No ano de 1587 temos
relatos da existência do Engenho de Sua Majestade que ficava localizado junto a igreja de São
Bartolomeu.
È sabido que a região
era produtora de açúcar, que antes mesmo do recôncavo Pirajá já possuía o
engenho de açúcar.
A freguesia rural de
Pirajá surge no ano de 1608, confirmando o crescimento da área, era uma
freguesia muito vasta já que ia desde os atuais subúrbios ferroviários até o
litoral atlântico, ao norte da freguesia de santo Antônio.
Falando um pouco sobre
o marco importante da região se conversarmos com algumas pessoas que moram ou
frequentam o bairro de Pirajá, perceberemos que algumas delas acabaram
esquecendo o quanto essa região foi importante na história, esse local
foi percorrido pelas tropas vindas do interior do Estado tendo como líder o
General Pedro Labatut, com o objetivo de combater as tropas portuguesas durante
a Guerra da independência da Bahia no ano de 1823.Pirajá também fazia parte da
estrada das boiadas, até o ano de 1932, ali era o único local de acesso por
terra para quem quisesse chegar a cidade
de Salvador. Em Pirajá e Itaparica foram cenários de algumas das batalhas mais
importantes pela luta da independência.
Atualmente o bairro
fica localizado próximo a BR 324 e ao subúrbio ferroviário tendo ligação com os
bairros Marechal Rondon, Valéria, Planalto Real, Ilha Amarela, Rio Sena, Bela
vista do Lobato, e Alto do Cabrito.
O bairro conta vários
sub distritos como: rua velha de Pirajá, rua nova de Pirajá, campinas de Pirajá
entre outros, além de vários estabelecimentos na região como supermercados,
empresas de ônibus, bancos, etc. A região ainda conta com o Parque São
Bartolomeu, porém encontra-se poluído e nenhuma medida dos órgão públicos em
relação a modificar essa realidade, além de falta de segurança no local,
problemas de pavimentação,etc.
Pirajá tem um Pantheon
onde estão enterrados os restos mortais de alguns heróis de 1823 como o
general Labatut onde se concentra a festa em comemoração a Independência da
Bahia.
Entrevistas
José morador da Rua Nova brejal à sessenta
e sete anos. Dedo como é conhecido na comunidade, chegou na é conhecido na
comunidade, chegou na Rua Nova Brejal, como seus pais seu José Cristovão e dona Maria, seu pai era um alagoano e sua mãe uma cearense.
Dedo antes de morar na brejal residia na
localidade chamada de São Lourenço que fica próxima a rua nova Brejal.
Dedo relata que quando criança a Rua Nova
brejal tinha o nome de Avenida Brejal era uma rua reta sem becos e vielas,
atualmente a antiga Avenida Brejal é conhecida como Rua dom Luis de Vasconcelos
e foi criada uma nova rua que conhecemos hoje como Rua Nova Brejal.
Na rua passava um grande dique e suas águas
eram utilizadas na fabrica de saco de linhagem que ficava localizada no Fiais,
atualmente a fabrica encontra-se desativada.
Ao perguntar sobre como era o transporte na
região José (Dedo) informa que recorda-se que existiu um bonde que fazia o
seguinte roteiro: Passava pela San Martin, Retiro e subia até a Liberdade, nesse
momento Dedo lembra que nesse período ainda existia o antigo matadouro de bois,
em relação ao bonde ele acredita que era chamado de linha oito o bonde que fazia
esse percurso.
Dedo recorda-se com emoção que seu pai José
Lorenço teve uma lotação no largo do tanque, (o que conhecemos hoje como topique).
Continuando a falar sobre o largo do tanque
José conta que o bairro já foi muito valorizado, já teve cinema assim como o bairro
da liberdade (cinema São Jorge). Existia também um grande barracão chamado de Coap
onde os moradores da brejal iam vender algumas hortaliças que colhiam na horta que
existia no final da rua brejal. Atualmente no local que ficava a Coap é um
posto de gasolina.
Após alguns minutos de silencio Dedo volta
a falar sobre seu pai, conta que o mesmo trabalhou na empresa Leste Brasileiro,
que o seu trabalho era pegar o manganês nos vagões dos trens que ficava
localizada na baixa do fiscal e depois levar para o porto na antiga Praça Cairu
que conhecemos atualmente como Comércio.
Ao termino da conversa Dedo fala que a rua
nova brejal cresceu bastante antes as casas eram de zinco e palha, hoje podemos
ver a mudança na estruturas das casas, porém com o crescimento da rua acabou resultando
no aumento da violência. E o bairro do largo do tanque no lugar de crescer regrediu
não existe um posto de saúde aqui o mais próximo é o da liberdade ou do São Caetano.
Perguntado sobre a duvida que existe em
relação a rua nova brejal pertencer ao são Caetano ou alto do peru, ele diz que
essa informação é falsa a rua nova Brejal faz parte do bairro Largo do Tanque,
foi os novos moradores que começaram a dizer que a brejal era parte desses
bairros.
Rosa * (nome fictício)
Moradora da brejal há vinte quatro anos. Rosa
conta que sua casa fica localizada na ladeira da brejal, quando eu vim morar
aqui só tinha dois moradores nessa parte da brejal, aqui antes das casas eram
utilizados pelos moradores da parte baixa da brejal como campus de futebol,
aqui era tudo mato, com o passar dos anos aumentou o numero de moradores. Quando
vim morar aqui a Bahia Azul nem tinha chegado nessa parte.
Hoje a ladeira da brejal é asfaltada , iluminada
o transporte nessa região eu considero regular pois temos bastante opções.
Agora o que faz eu pensar em me mudar é a violência
aqui já foi uma rua bem tranquila mas hoje em dia tem ocorrido bastante assalto.
Arquivo
pessoal
Curiosidade:
A travessa Elisia e Vila Elisia que ficam
localizadas na Rua Nova Brejal, ganhou esse nome, pois uma das moradoras antigas
dessa parte da rua Nova Brejal foi reclamar, pois nessa parte da rua não chegava
correspondência, lá foi informada que a Vila/ Travessa precisava ser registrada
ai a moradora registrou e colocou seu nome na rua.
Conseguir
essa informação durante um bate-papo com uma moradora da Travessa Elisia que prefere
não se identificar.
Ao andarmos pelo bairro do São Caetano
percebemos que a região dispõe de barreiras arquitetônicas, assim como as varias
regiões de Salvador.
Assim percebemos que a região não atente o que
esta no artigo 8 do Decreto 5.296 de 02/12/04 que considera acessibilidade
“condição para utilização, com segurança e autonomia,
total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações,
dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e
informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida”.
AMARAL, Sharyse Piroupo
do. História do negro no Brasil / Sharyse Piroupo do Amaral. – Brasília:
Ministério da Educação. Secretária de Educação Continuada, Alfabetização e
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http://www.brasil-turismo.com/historia.htm>.Acessado em 13 de maio de
2013.
Disponível em http://www.ub.edu/geocrit/b3w-938.htm .Figura 1 –
Localização do bairro de São Caetano / destaque para a via principal.Fonte da base: Prefeitura Municipal de Salvador/SICAD.
Mosaico de Ortofotos, 2006.Adaptado do Projeto Caminho das Águas em Salvador
(PMS/CONDER/UFBA, 2009).
Diversão
No Bairro do São Caetano você encontra
diversas opções de lazer para você e toda sua família, no bairro você encontra a
pizzaria expresso, o restaurante Tchê Picanhas, churrascaria Frango do Moura
etc.
O restaurante mais famoso do bairro é o que
esta localizada na Rua Professor Francisco Góes Calmon n° 50, o Boteco do Jô da
Bahia.
Reportagem disponível em <http://vejabrasil.abril.com.br/salvador/bares/jo-da-bahia-45534> acesso no dia 19.07.2013 às 07h05.
Escondido em meio a casas residenciais de São Caetano, um bairro
popular bem distante do burburinho da Pituba e do Rio Vermelho, o boteco de
Jomar Garcia é um achado. Trata-se de um espaço minúsculo, aberto em 2004, onde
se apertam três mesas, um balcão e um fogão de quatro bocas. Cozinheiro
autodidata com experiência em eventos, o proprietário prepara na frente dos
clientes os tira-gostos e pratos que renderam ao bar sua primeira vitória em
VEJA SALVADOR "Comer & Beber". Jô, como é conhecido, herdou o
talento com as panelas de seu bisavô, um chef de origem portuguesa. No cardápio
de quatro páginas, encontram-se receitas como o espaguete ao molho de tomate,
leite de coco, vinho branco e camarão (R$ 35,00), disponível às terças e
quartas, e a feijoada de mariscos, elaborada com feijão-branco e servida
somente aos sábados (R$ 40,00). Da inspirada seção de petiscos, leva o nome de
dona canô o conjunto de oito camarões envoltos em massa de aipim e empanados
com tapioca e lascas de coco. Eles vão à mesa na companhia de molho de pimenta
com morango (R$ 24,00). Outra boa sugestão da lista, o flor de tieta reúne
salame ao vinagrete de queijo e duas empadas, uma de bacalhau e outra de
camarão (R$ 21,00). Jô, que conta com apenas um ajudante, também responde pelas
bebidas e capricha na elaboração das caipiroscas de ameixa, kiwi, manga ou
banana (R$ 7,00 cada uma).Uma matéria bastante interessante sobre Joãozinho da Gomeia vocês não podem deixar de ler...
João Alves
Torres Filho
Nasceu em 27 de março de 1914 em
Inhambupe, Bahia. Sua família era católica e chegou a ser coroinha da paróquia
de sua cidade. Mas o menino parecia realmente já vir predestinado a vivenciar o
mundo das tradições religiosas afro-brasileiras, mesmo antes de se iniciar em
uma casa de culto.
Na pequena cidade onde nasceu,
distante 153 km
da capital, aos 10 anos já demonstrava sua forte personalidade, como bom filho
de lansã. Aos 17, deixou a família e rumou para Salvador, onde fez de tudo para
sobreviver. No armazém onde trabalhou, conheceu uma senhora que muito lhe
ajudou e que considerava como sua madrinha. Foi ela quem o levou ao terreiro de
Severiano Manuel de Abreu, que recebia a entidade conhecida como Caboclo
Jubiabá.
MESMO CONSCIENTE DA GENEALOGIA E HIERARQUIA DOS DEMAIS TERREIROS,
CONSEGUIU IMPOR SUA AUTORIDADE E SE LEGITIMOU AO LONGO DOS ANOS
Uma das muitas histórias
que se conta sobre sua iniciação é o fato de Joãozinho sofrer de fortes dores
de cabeça sem explicação ou cura por meio da medicina.
Assim que se realizou sua feitura, as dores de cabeça cessaram; teriam sido apenas um aviso de que o menino já vinha com o destino traçado pelos Orixás, que cobravam sua iniciação.
Assim que se realizou sua feitura, as dores de cabeça cessaram; teriam sido apenas um aviso de que o menino já vinha com o destino traçado pelos Orixás, que cobravam sua iniciação.
Em torno da figura de
Joãozinho da Goméia sempre houve muita polêmica; para muitos, que buscavam
formas de criticá-lo, sequer teria sido "feito". Mas há
filhas-de-santo de Pai Joãozinho que contam todo o seu processo de iniciação.
Uma delas, aos 92 anos declarou ao jornal Correio da Bahia que tinha dúvidas de
que, se ele fosse vivo, alguém tivesse coragem de contradizêIo.
O INÍCIO DA TRAJETÓRIA EM SALVADOR
Após a feitura de santo com Severiano
Manuel, aos 18 anos Joãozinho já tinha seu terreiro, onde mantinha os padrões
do Candomblé de Caboclo e Angola, cultuando Orixás, Encantados e Espíritos de
ameríndios. Com a morte de seu Pai-de-Santo, segundo alguns relatos, Joãozinho
"refaz" o santo no terreiro do Gantois com Mãe Menininha, de Nação
Keto. Começa então a polêmica que cercaria toda a vida de Joãozinho em relação
a seus trabalhos no Candomblé a mistura de Nações.
Mas "Seu" João da Pedra Preta foi de fato importante para a consagração do culto de Candomblé Angola e sua popularização. Intelectuais como Jorge Amado e Édison Carneiro projetaram o Terreiro da Goméia para o resto do Brasil. Joãozinho foi importante colaborador de Édison Carneiro durante a realização do II Congresso Afro-Brasileiro, realizado em 1937, em Salvador. Segundo o escritor e pesquisador das tradições africanas, Joãozinho era, aos 24 anos, um Pai-de-Santo que se destacava no ambiente conservador da época. Mesmo consciente da genealogia e hierarquia dos demais terreiros, con¬seguiu impor sua autoridade e seu nome se legitimou ao longo dos anos.
Mas "Seu" João da Pedra Preta foi de fato importante para a consagração do culto de Candomblé Angola e sua popularização. Intelectuais como Jorge Amado e Édison Carneiro projetaram o Terreiro da Goméia para o resto do Brasil. Joãozinho foi importante colaborador de Édison Carneiro durante a realização do II Congresso Afro-Brasileiro, realizado em 1937, em Salvador. Segundo o escritor e pesquisador das tradições africanas, Joãozinho era, aos 24 anos, um Pai-de-Santo que se destacava no ambiente conservador da época. Mesmo consciente da genealogia e hierarquia dos demais terreiros, con¬seguiu impor sua autoridade e seu nome se legitimou ao longo dos anos.
Com relação às polêmicas levantadas
por alguns pesquisadores, ou mesmo pais e mães-de-santo da época em torno de
sua iniciação e de seus trabalhos como sacerdote pelo fato dele, em seu culto,
incorporar também entidades ameríndias - Caboclos e Encantados, assim escreveu
a pesquisadora americana Ruth Landes em seu livro 'A Cidade das Mulheres':
"Caboclos não são Orixás, mas
Espíritos Encantados, originários das religiões indígenas, sem relação com a
África". Os chamados Candomblés de Caboclo eram desprezados pelos povos de
Keto sob a alegação de que era preciso preservar a pureza com relação às raízes
africanas. Mas a associação e a permanência dos Caboclos nos cultos de Angola
não se devia à "falta de pureza" africana. O povo Bantu também tem
suas tradições, sendo que a mais forte em sua religiosidade é o Culto aos
Ancestrais. Foi para preservar a ancestralidade dos donos da terra - os índios,
que esse povo incorporou em seus cultos os Caboclos. Outra citação
preconceituosa de Landes: "Há um simpático e jovem pai Congo, chamado
João, que quase nada sabe e que ninguém leva a sério, nem mesmo as suas
filhas-de-santo ( ... ); mas é um excelente dançarino e tem certo encanto.
Todos sabem que é homossexual, pois espicha os cabelos compridos e duros e isso
é blasfemo. - Qual! Como se pode deixar que um ferro quente toque a cabeça onde
habita um santo!"
AINDA
É
SURPREENDENTE HOJE OUVIR FALAR DE UM SACERDOTE DO RITO ANGOLA SENDO LEMBRADO
COM TANTO CARINHO PELO POVO DE SANTO
SURPREENDENTE HOJE OUVIR FALAR DE UM SACERDOTE DO RITO ANGOLA SENDO LEMBRADO
COM TANTO CARINHO PELO POVO DE SANTO
Mas o que incomodava os sacerdotes em Joãozinho
era a sua visão de futuro e sua grande contribuição para o crescimento e
aceitação do Candomblé em outras áreas da sociedade, como as classes artística
e política. Foi um homem que soube muito bem usar sua imagem à frente do tempo,
divulgando a si mesmo e a sua roça.
Quantas vezes Joãozinho não afrontou sacerdotes
e sacerdotisas ao se apresentar em público com seu Orixá, atitude não aceita e
proibidíssima, mas que tornou sua dança famosa e fez dele um bailarino
respeitado. Homossexual assumido, não se envergonhava diante de toda a
repressão que havia naquelas primeiras décadas do século XX.
Em seu
Candomblé Joãozinho era conhecido por incorporar o Caboclo Pedra Preta,
entidade indígena. Era praticante do culto de Angola, e jovem ainda enfrentou a
supremacia dos cultos Jeje e Nagô na antiga Salvador. Foi também por ser tão
jovem e desafiador que acabou provocando nas tradicionais Mães-de-Santo baianas
um sentimento de repulsa a seu trabalho - aos 26 anos de idade já havia
assumido a chefia de seu terreiro, o primeiro, que ficava na Ladeira da Pedra.
Logo depois, mudou-se para a rua que o tornaria famoso - a Rua da Goméia - que
ficava no bairro de São Caetano, Cidade Baixa, onde tocava Angola e Keto, o que
aumentava ainda mais o desprezo por seu nome.
Mas a verdade
é que Joãozinho da Goméia se tornou um Pai-de-Santo famoso em uma cidade
dominada pelas mulheres, e em torno de sua trajetória criou-se muita lenda. Mas
sempre foi muito respeitado por seus inúmeros filhos-de-santo, com quem sempre
foi muito rígido e autoritário.
Segundo
Edison Carneiro, escritor e pesquisador das tradições africanas, Joãozinho era,
aos 24 anos, um Pai-de-Santo que se destacava no ambiente conservador da época.
Joãozinho em seu terreiro na
Gomeia entre as décadas de 1930 e 1940 em um ritual de Candomblé Angola.
O QUE INCOMODAVA OS SACERDOTES EM JOÃOZINHO ERA A SUA VISÃO DE
FUTURO E SUA GRANDE CONTRIBUIÇÃO PARA O CRESCIMENTO E ACEITAÇÃO DO CANDOMBLÉ EM
OUTRAS ÁREAS DA SOCIEDADE, COMO AS CLASSES ARTÍSTICA E POLÍTICA.
Sua fama como Pai-de-Santo atingiu realmente o auge com a mudança para o Rio de janeiro, onde se instalou na cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ainda é surpreendente hoje ouvir falar de um sacerdote do Rito Angola sendo lembrado com tanto carinho pelo povo de santo. Sua voz rouca, firme e afinada, saudava de Exu a Oxalá, e foi o mais importante agente na época em que começou a divulgação de termos usados no Candomblé por meio da mídia e das artes, que sempre foram seus grandes aliados. Ao ir para a região Sudeste com seu culto, Joãozinho da Goméia sabia da importância e das vantagens de tornar conhecidos os cultos afro-brasileiros. E sua influência se estendeu para outros estados; segundo pesquisa realizada em 1983, dos 24 mais antigos terreiros da capital e do litoral paulistas, oito haviam sido fundados por seus filhos e filhas-de-santo.
Da década de 1950 em diante Joãozinho já era muito famoso no Rio de Janeiro e, até sua morte, em 1971, era o Pai-de-Santo mais conhecido do Brasil. Apesar de tudo, nunca con-seguiu ser unanimidade entre o povo de santo - para muitos era um transgressor das ordens do culto e falava demais, características de um filho dos Orixás guerreiros Oxossi e lansã.
Há uma passagem que ficou fortemente marcada em sua trajetória
desafiadora aos costumes da época o Carnaval de 1956, quando saiu pelas ruas
fantasiado de "vedete Arlete" e foi duramente criticado e repreendido
pelas maes-de-santo da Bahia e pela Federação Umbandista do Rio de janeiro, o
que acabou lhe rendendo uma matéria na revista "O Cruzeiro", cujo
título era: "Joãozinho da Goméia no Tribunal da “Umbanda". Em
entrevista, o polêmico pai-de-santo de¬monstrou sua forte personalidade ao
repórter, ao ser perguntado se sua atitude ao sair fantasiado de vedete não
chocava os regulamentos do Candomblé. - "De nenhuma maneira. Primeiro,
porque antes de brincar pedi licen?a ao meu "Guia", segundo, porque o
fato de ter me fantasiado de mulher não implica em desrespeito ao meu culto,
que é democrático. Os Orixás sabem que somos feitos de carne e osso e toleram
superiormente as inerências da nossa condição humana, desde que não abusemos do
Iivre arbítrio".
Com relação as lalorixás
baianas, Joãozinho se referia a todas com certo rancor, por nunca terem
aceitado sua condição como importante sacerdote do culto. A única a quem se
referia com mais respeito era Mãe Menininha, pois sempre manteve um
relacionamento um pouco melhor com ela. Sobre Mãe Senhora, na época poderosa
sacerdotisa do lIê Axé Opô Afonjá, certa vez disse: "Conheço Senhora, mas
nunca tive maior contato com ela, e não lhe sou simpático. É um tipo de mulher
muito orgulhosa; não é bem orgulho, é um pouco de ignorância ... ".
Joãozinho
estabeleceu-se definitivamente no Rio de Janeiro em 1946, com apenas 32 anos de idade, quando já era
bastante conhecido na Bahia. Sua festa de despedida foi assunto comentadíssimo
na época - montou, no Teatro jandaia, um espetáculo com danças típicas do
Candomblé, apresentando-se como um excelente bailarino.
Nem é preciso dizer que essa comemoração também acabou gerando controvérsia no meio do povo de santo, que sempre criticava os "desmandos" do babalorixá-artista. Mas, segundo relatou o próprio Joãozinho a um jornal carioca, sua mudança para o Rio se deu por acaso, quando foi à cidade de Duque de Caxias para "dar comida" ao santo na casa de uma de suas filhas. "Depois de concluído o ritual, voltei para a Bahia, mas não tive sossego; os amigos insistiam para que eu voltasse ao Rio e não tive outra saída senão mudar de vez para Caxias. Cheguei, gostei e fui ficando". Naquele momento, a Baixada Fluminense estava se tornando um grande reduto de terreiros dedicados aos cultos afro-brasileiros. Mas, como tudo a respeito de joãozinho da Goméia, sobre a sua mudança para o Rio de janeiro também pairam outras histórias. Uma delas diz que, ao desafiar seu Caboclo que o avisara que aquele não era o momento certo de mudar-se para o Rio, acabou dando tudo errado e ele chegou a ser preso, tendo que voltar para a Bahia. Ele esperou então, até que o Caboclo disse: ':Agora é a hora". Joãozinho foi definitivamente para o Rio e se deu bem. Na verdade, muitas histórias se construíram em torno do mito e ficou difícil desassociar a figura de Pai-de-Santo do lendário "joãozinho da Goméia".
Assim que fundou seu terreiro em Duque de Caxias, toda a beleza e riqueza de seus rituais chamaram a atenção. Várias pessoas passaram a freqüentar sua casa, e não só o povo de santo - todos, dos mais diferentes segmentos sociais, queriam aprender mais sobre o Candomblé. Joãozinho tornou-se famoso e tinha uma clientela que vinha das mais altas camadas da sociedade carioca. Nas festas mais importantes sempre havia uma área nobre dedicada a receber os mais influentes - políticos da Baixada Fluminense. Conta-se que na época, até a sogra de Juscelino Kubitschek frequentou suas festas. A exemplo dos políticos, muitos artistas também passaram a se interessar pelo Candomblé e a frequentar sua casa, pois ele próprio, fora das atividades religiosas, também era um artista e participou de diversos shows folclóricos como dançarino no Cassino da Urca, mostrando aos que não conheciam as danças sagradas dos Orixás. Em todos os relatos conhecidos, Joãozinho sempre foi muito elogiado como bailarino.
O
terreiro de Joãozinho da Goméia em dia de festa se transformava em uma
maravilhosa passarela por onde desfilavam suas filhas-de-santo: imponentes
senhoras, orgulhosas com seus belos torços na cabeça e suas longas e rodadas
saias brancas.
De meados dos anos 50 até o começo dos 60, Joãozinho da Goméia, que havia muitos anos, transferira sua roça de Salvador para Caxias, no Rio de Janeiro, visitava constantemente São Paulo onde era amigo de influentes líderes umbandistas. Muitos dos primeiros personagens do Candomblé de São Paulo foram por ele iniciados ("feitos", na linguagem de santo). E feitos aqui em São Paulo, embora este primeiro começo tenha contado também com filhos de Joãozinho feitos na Goméia do Rio e na originária Goméia da Bahia. Linhagem e Legitimidade no Candomblé Paulista - Reginaldo Prandi
Uma curiosidade: Eram colados nas paredes dos mercadinhos de Nilópolis, Nova Iguaçu e Duque de Caxias papéis e cartazes onde se divulgava todo o calendário semanal do terreiro de Joãozinho, como por exemplo: Segunda-feira: dia de distribuições de sopas e agasalhos aos pobres, festa para Obaluaiê e Gira para Exus. Quinta-feira: dia de festa à lansã, Oxossi e Ogum. Sexta e Sábado: Festas de confirmação de laôs e atendimento médico, sábado à tarde. A comunidade aparecia em peso, e mesmo os que não freqüenta-vam o Candomblé iam para ver as festas.
Nem é preciso dizer que essa comemoração também acabou gerando controvérsia no meio do povo de santo, que sempre criticava os "desmandos" do babalorixá-artista. Mas, segundo relatou o próprio Joãozinho a um jornal carioca, sua mudança para o Rio se deu por acaso, quando foi à cidade de Duque de Caxias para "dar comida" ao santo na casa de uma de suas filhas. "Depois de concluído o ritual, voltei para a Bahia, mas não tive sossego; os amigos insistiam para que eu voltasse ao Rio e não tive outra saída senão mudar de vez para Caxias. Cheguei, gostei e fui ficando". Naquele momento, a Baixada Fluminense estava se tornando um grande reduto de terreiros dedicados aos cultos afro-brasileiros. Mas, como tudo a respeito de joãozinho da Goméia, sobre a sua mudança para o Rio de janeiro também pairam outras histórias. Uma delas diz que, ao desafiar seu Caboclo que o avisara que aquele não era o momento certo de mudar-se para o Rio, acabou dando tudo errado e ele chegou a ser preso, tendo que voltar para a Bahia. Ele esperou então, até que o Caboclo disse: ':Agora é a hora". Joãozinho foi definitivamente para o Rio e se deu bem. Na verdade, muitas histórias se construíram em torno do mito e ficou difícil desassociar a figura de Pai-de-Santo do lendário "joãozinho da Goméia".
Assim que fundou seu terreiro em Duque de Caxias, toda a beleza e riqueza de seus rituais chamaram a atenção. Várias pessoas passaram a freqüentar sua casa, e não só o povo de santo - todos, dos mais diferentes segmentos sociais, queriam aprender mais sobre o Candomblé. Joãozinho tornou-se famoso e tinha uma clientela que vinha das mais altas camadas da sociedade carioca. Nas festas mais importantes sempre havia uma área nobre dedicada a receber os mais influentes - políticos da Baixada Fluminense. Conta-se que na época, até a sogra de Juscelino Kubitschek frequentou suas festas. A exemplo dos políticos, muitos artistas também passaram a se interessar pelo Candomblé e a frequentar sua casa, pois ele próprio, fora das atividades religiosas, também era um artista e participou de diversos shows folclóricos como dançarino no Cassino da Urca, mostrando aos que não conheciam as danças sagradas dos Orixás. Em todos os relatos conhecidos, Joãozinho sempre foi muito elogiado como bailarino.
Com a chegada de Joãozinho da
Goméia ao Rio de janeiro, a Nação Angola se viu devidamente instalada em
Caxias, ganhando sua merecida importância. Mesmo para aqueles que nunca
aceitaram ou simpatizaram com ele, admitem que foi o grande respons?vel pela expansão
do Candomblé no Sudeste, a partir de 1950. Formou milhares de filhos-de-santo
que fundaram seus próprios terreiros em São Paulo e no Rio de janeiro. Até hoje
essas casas têm orgulho em dizer que são da raiz da Goméia:
Hoje em dia a verdadeira
Goméia não existe mais. Depois de sua morte, em 1971, o terreiro em Salvador,
no bairro de São Caetano e o de Duque de Caxias, não foram mantidos. O Caboclo
Pedra Preta, sua entidade mais famosa, não teve um sucessor para representá-Io.
Seus problemas de saúde começaram
em 1966, quando teve um derrame cerebral; talvez já fosse uma manifestação do
tumor que o levaria à morte em 1971. Mas, segundo os membros de sua casa, a
proximidade de sua morte já havia sido anunciada, mas não identificada a tempo.
Na última festa que fez para lansã, esta teria relutado muito para se
manifestar. Isso aconteceu também diversas vezes com o Caboclo Pedra Preta, que
por quatro vezes sacudiu Joãozinho, mas não incorporou. Isso aconteceu pouco
antes de sua viagem para São Paulo, onde viria a fazer sua passagem, durante
cirurgia para retirada de um tumor cerebral. Quanto à cirurgia, Joãozinho havia
concordado, pois, segundo filhas-de-santo que estiveram ao seu Jado durante a
luta contra a doen?a, Pai Joãozinho desejava que se cumprisse a vontade de
Deus.
A descendência de Joãozinho da Goméia ? maior no Rio e em São Paulo do que na Bahia. Após sua morte, o terreiro em Duque de Caxias passou por uma disputa de poder - uma menina de dez anos teria sido indicada para dar continuidade à Casa. Houve divergência interna e o terreiro acabou extinto. Em Salvador, na Rua da Goméia, o lugar onde ergueu sua roça foi tomado por uma imensa caixa d'água de concreto, instala¬da pela companhia de saneamento básico da cidade. Mas as lembran?as do "Pai da Goméia" continuam vivas para os mora¬dores mais antigos, e sua memória continua preservada nas muitas histórias contadas a seu respeito, por aqueles que o conheceram bem de perto.
A descendência de Joãozinho da Goméia ? maior no Rio e em São Paulo do que na Bahia. Após sua morte, o terreiro em Duque de Caxias passou por uma disputa de poder - uma menina de dez anos teria sido indicada para dar continuidade à Casa. Houve divergência interna e o terreiro acabou extinto. Em Salvador, na Rua da Goméia, o lugar onde ergueu sua roça foi tomado por uma imensa caixa d'água de concreto, instala¬da pela companhia de saneamento básico da cidade. Mas as lembran?as do "Pai da Goméia" continuam vivas para os mora¬dores mais antigos, e sua memória continua preservada nas muitas histórias contadas a seu respeito, por aqueles que o conheceram bem de perto.
Joãozinho dança
para os Deuses
No grande salão, decorado com bandeirinhas e
muitas luzes, havia um mezanino somente para gente ilustre, sempre repleto de
autoridades e convidados, todos esperando o momento da triunfal entrada de
joãozinho da Goméia - o Rei do Candomblé, com sua bela lansã, a rainha dos
ventos, raios e tempestades. A entrada do sacerdote no salão empolgava todos os
presentes: Ele vinha dançando maravilhosamente, com uma bacia de fogo na
cabeça.
laôs, Ogans e atabaques, que batem seu ritmo de chamada aos deuses africanos, vibram enquanto as filhas-de-santo entram em transe, são recolhidas à camarinha e voltam ricamente vestidas e adornadas, representando suas divindades.
laôs, Ogans e atabaques, que batem seu ritmo de chamada aos deuses africanos, vibram enquanto as filhas-de-santo entram em transe, são recolhidas à camarinha e voltam ricamente vestidas e adornadas, representando suas divindades.
A festa no mezanino - espécie de tribuna, era
regada a pratos típicos baianos, petit fours, doces e champanhe. A casa de
Joãozinho era um ponto de encontro de gen¬te importante na sociedade cario¬ca
da época, e cada convidado levava sempre o melhor presente para mostrar que era
frequentador da "Casa da Goméia".
Joãozinho dança em transe, com a bela paramentação da deusa lansã
Segundo uma filha-de-santo de Joãozinho da Goméia, no início de
sua atuação como pai-de-santo, ainda muito jovem, aos 18 anos, este tinha
verdadeiro temor de seu Caboclo Pedra Preta.
Certa vez, ainda em Salvador, quando vinha descendo a ladeira de uma rua perto da casa de Jubiabá, o Caboclo Pedra Preta começa a falar com Joãozinho instruindo-o sobre as ordens do dia. O babalorixá, apavorado, começou a correr, gritando coisas sem nexo. Seu pai-de-santo, jubiabá, vendo a cena segura João pelo braço e o chama à razão, levando-o para dentro da casa de culto em que havia sido feito no intuito de acalmá-lo.
Nas festas em seu terreiro, antes de ter início o toque, uma filha-de-santo trazia sempre uma botija de água e um prato com farofa de azeite que era posto no chão no meio do terreiro. Era o chamado despacho de Exu, ou o Ipadê de Exu, acompanhado de três ou sete pontos, ritual indispensável para que o homem das encruzilhadas não atrapalhasse a festa.
Certa vez, ainda em Salvador, quando vinha descendo a ladeira de uma rua perto da casa de Jubiabá, o Caboclo Pedra Preta começa a falar com Joãozinho instruindo-o sobre as ordens do dia. O babalorixá, apavorado, começou a correr, gritando coisas sem nexo. Seu pai-de-santo, jubiabá, vendo a cena segura João pelo braço e o chama à razão, levando-o para dentro da casa de culto em que havia sido feito no intuito de acalmá-lo.
Nas festas em seu terreiro, antes de ter início o toque, uma filha-de-santo trazia sempre uma botija de água e um prato com farofa de azeite que era posto no chão no meio do terreiro. Era o chamado despacho de Exu, ou o Ipadê de Exu, acompanhado de três ou sete pontos, ritual indispensável para que o homem das encruzilhadas não atrapalhasse a festa.
Houve um movimento interessante no início da década de 60 no
Brasil: foi uma urgência na busca incansável por símbolos nacionais, e o que se
desejava naquele momento eram símbolos afro-brasileiros. "Fazer
santo", tanto em Salvador quanto no Rio de ja¬neiro era moda, e não podia
ser em qualquer bairro não, tinha de ser no centro da cidade de Salvador por
mães e pais de santos reconhecidos nacionalmente, e na Baixada Fluminense,
prefe-rencialmente no terreiro de Joãozinho da Goméia, em Duque de Caxias.
De meados dos anos 50 até o começo dos 60, Joãozinho da Goméia, que havia muitos anos, transferira sua roça de Salvador para Caxias, no Rio de Janeiro, visitava constantemente São Paulo onde era amigo de influentes líderes umbandistas. Muitos dos primeiros personagens do Candomblé de São Paulo foram por ele iniciados ("feitos", na linguagem de santo). E feitos aqui em São Paulo, embora este primeiro começo tenha contado também com filhos de Joãozinho feitos na Goméia do Rio e na originária Goméia da Bahia. Linhagem e Legitimidade no Candomblé Paulista - Reginaldo Prandi
Édison Carneiro praticamente projetou o nome de Joãozinho da Goméia, nos
apontando para um fato interessante: a troca de favores, muito comum às casas
de culto tradicionais baianas. Em troca de uma entrada fácil e uma
conscientização clara das coisas do Candomblé, que interessariam ao jovem
pesquisador aprender para que auxiliassem seu trabalho como jornalista e
etnólogo, este deveria divulgar o "bom nome" de João da Goméia,
tornando sua casa de culto conhecida entre os inte¬lectuais, estrangeiros e o
povo do santo.
Uma curiosidade: Eram colados nas paredes dos mercadinhos de Nilópolis, Nova Iguaçu e Duque de Caxias papéis e cartazes onde se divulgava todo o calendário semanal do terreiro de Joãozinho, como por exemplo: Segunda-feira: dia de distribuições de sopas e agasalhos aos pobres, festa para Obaluaiê e Gira para Exus. Quinta-feira: dia de festa à lansã, Oxossi e Ogum. Sexta e Sábado: Festas de confirmação de laôs e atendimento médico, sábado à tarde. A comunidade aparecia em peso, e mesmo os que não freqüenta-vam o Candomblé iam para ver as festas.
Segundo
a Mãe Criadeira da Goméia, Joãozinho possuía uma espécie de diário onde Iistava
os contribuintes de seu terreiro, dando à sua casa de culto a personificação de
uma instituição. Grande parte daqueles que freqüentavam não eram
filhos-de-santo, e sim pessoas que estavam naquele momento fascinadas pelo
grande movimento de popularização do Candomblé na cidade do Rio de janeiro. A noção
de pertencimento ao culto dos Orixás era visível no terreiro da Goméia, era uma
espécie de associação mística ao cam-po religioso, em que os laços de
associação do indivíduo com a forma de culto se redefinia a cada divulgação das
festas de Candomblé, tanto na imprensa
carioca como nos mercados populares da Baixada Fluminense.
Dentro do Enredo do Carnaval 2007, em que a Acadêmicos do Grande Rio homenageou
a cidade de Duque de Caxias, Joãozinho da Goméia foi tema quarto setor da
escola - 'A fé de um po valente', que contou sua trajetória popularizador dos
cultos afro-brasileiros no Rio de janeiro, especialmente na Baixada Fluminense.
"Sua transferência para Duque de Caxias fez com que sua fama como
pai-de-santo atingisse contornos nacionais"
1971 MORRE O
GRANDE BABALORIXÁ JOÃOZINHO DA GOMÉIA
O dia em que o
Candomblé chorou!
19
de março de 1971 - o dia da semana era sexta-feira, fatídico para alguns,
benéfico para outros. O local, Rua General Rondon, 360, bairro Copacabana, no
município de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Já passava
das nove horas e o relógio em breve faria soar as dez badaladas. De repente, um
silêncio se faz sentir; as poucas pessoas que ali se encontravam se entreolham
assustadas. Parecem hipnotizadas, presas ao chão. Na face de cada uma, a
palidez, o medo.
No
enorme galpão, uma imagem de lansã se desprende da parede atrás de uma
imponente cadeira. Cai ao chão e a deusa se desfaz em dezenas de pedaços. Um
vento frio sopra e redemoinhos se formam levantando poeira; o céu se cobre de
nuvens pretas como se vestisse luto, onde antes brilhava o solou se via o azul.
O vento uivante aumenta de intensidade e as pessoas começam a se mexer. Muitos
diriam, depois, que os gemidos do vento mais pareciam lamentos de Omolu, o
guardião dos cemitérios.
Assustados e talvez adivinhando as razões de tão estranhas manifestações da Mãe Natureza, alguns correm ao pátio: o pé de jurema, a árvore sagrada, começa a murchar, a canjica azeda minutos depois de colocada aos pés do Orixá. Nesse instante todos tiveram conhecimento do que estava ocorrendo e lágrima silenciosas começaram a descer nas faces negras e a molhar as vestes brancas. Os atabaques gemeram e choraram e, no gemido de seu couro, transmitiram ao Céu e à Terra os lamentos de uma dor que se espalharia por todo o Brasil.
Assustados e talvez adivinhando as razões de tão estranhas manifestações da Mãe Natureza, alguns correm ao pátio: o pé de jurema, a árvore sagrada, começa a murchar, a canjica azeda minutos depois de colocada aos pés do Orixá. Nesse instante todos tiveram conhecimento do que estava ocorrendo e lágrima silenciosas começaram a descer nas faces negras e a molhar as vestes brancas. Os atabaques gemeram e choraram e, no gemido de seu couro, transmitiram ao Céu e à Terra os lamentos de uma dor que se espalharia por todo o Brasil.
Tudo isso se passou na roça de
joãozinho da Goméia. No mesmo instante, a 400 quilômetros de
distância, o Rei do Candomblé, maior propagador dos ritos afro-brasileiros,
mais antigo e respeitado sacerdote do Brasil, deixava o mundo dos vivos,
desencarnara e partira para o Reino de Oxalá - o Pai Supremo.
São Paulo, Hospital das
Clínicas, 9 horas e 50 minutos, sexta-feira. Num leito branco, um homem moreno,
forte, grandalhão e de finos traços trava uma batalha com a morte. Seu rosto é
tranqüilo, aparentando uma enorme paz interior. Nas têmporas, os cabelos ralos
já agasalham a neve dos anos que sobre eles passaram: retratam as dores, os
sacrifícios, as lutas e os sofrimentos.
Ao
seu lado os médicos se empenham para impedir os desígnios da morte, que quer
levar mais um tributo e eles não concordam. O combate é desigual: de um lado,
os fracos conhecimentos e as desvalidas forças do ser humano; do outro, os
misteriosos poderes extraterrenos.
A luta é árdua; há muitas horas o combate se trava num vaivém irritante. Em momentos, parece que os médicos conseguirão enganar a morte; em outros, a vitória pende para esta. De um lado, os médicos de branco, cor tão querida e amada por aquele homem que ali se encontra sem poder participar da batalha. Ele, que durante toda a vida foi um valente que nunca fugiu à luta, não sabe que do outro lado o espectro da morte tenta arrebatar-lhe a vida, a alma. Seu espírito, este sim está vendo tudo, sabe até o destino que lhe é reservado, só que não pode intervir. Ele, o espírito, o motivo da batalha, dela não pode participar. Altos desígnios, mais fortes do que ele, presidem todos os detalhes do combate. Como humilde servidor desses desígnios, só lhe cabe apreciar os lances. Mesmo sabendo que no final o prêmio do vencedor será ele próprio.
A
batalha chega ao fim - João Alves Torres Filho, o doente que os médicos não
conseguiram salvar - talvez porque Oxalá houvesse decidido em contrário¬entrega
sua alma ao Mestre Supremo. A luta é árdua; há muitas horas o combate se trava num vaivém irritante. Em momentos, parece que os médicos conseguirão enganar a morte; em outros, a vitória pende para esta. De um lado, os médicos de branco, cor tão querida e amada por aquele homem que ali se encontra sem poder participar da batalha. Ele, que durante toda a vida foi um valente que nunca fugiu à luta, não sabe que do outro lado o espectro da morte tenta arrebatar-lhe a vida, a alma. Seu espírito, este sim está vendo tudo, sabe até o destino que lhe é reservado, só que não pode intervir. Ele, o espírito, o motivo da batalha, dela não pode participar. Altos desígnios, mais fortes do que ele, presidem todos os detalhes do combate. Como humilde servidor desses desígnios, só lhe cabe apreciar os lances. Mesmo sabendo que no final o prêmio do vencedor será ele próprio.
Joãozinho
da Goméia morreu aos 57 anos, 40 dos quais dedicados ao Candomblé.
Desencarnou
no dia de São José, oito dias antes de completar 57 anos. Por estranha
coincidência, no dia de sua morte sua roça em Duque de Caixas iria promover o Lorogun
- uma das grandes cerimônias do Candomblé que significa o fechamento do
terreiro para o período da Quaresma.
Em dezembro ele pretendia promover uma grande festa para lansã, sua protetora.
Oxalá, porém, decidiu que sua missão na Terra estava terminada. Quando
seus filhos-de-santo receberam a notícia de sua morte, o pranto e a dor tomaram
conta de todos. Uma histeria coletiva jamais vista fora de um terreiro levou
quase à loucura milhares de pessoas que se aglomeravam em frente ao hospital.
Mulheres choravam, entravam em transe, desmaiavam; os homens murmuravam preces
por sua alma e gritavam: - Pai, me leva com você! Ao se confirmar a triste
verdade, os atabaques começaram a marcar em toques fúnebres, anunciando a dor
da perda irreparáveI. Todos
ficaram inconsoláveis, mas mesmo assim lembraram de render tributo a Oxalá,
pedindo que recebesse o filho amado de braços abertos. Para eles, o grande
sacerdote apenas desencarnara, ganhando uma estrada de estrelas para chegar ao
Reino de Oxalá.Há muito Joãozinho
da Goméia se encontrava doente, e nos últimos meses queixava-se de fortes dores
de cabeça. Os médicos encontraram a causa das terríveis dores do Rei do
Candomblé: Na parte frontal da cabeça, em local de difícil exploração,
formara-se um tumor, e sua localização tornava perigosa qualquer intervenção
cirúrgica. Após comunicarlhe os perigos que correria, indagaram se deviam ou
não operá-Io. Joãozinho não pensou nem um segundo para
responder: - Podem operar, seja feita a vontade de Deus.Às 8 horas e 15
minutos de sábado o corpo foi liberado para o transporte ao Rio de janeiro. No
carro funerário foi o corpo, atrás caravanas de I 5 federações de São Paulo e
dezenas de carros de fiéis. O motorista diria depois: - Em
19 anos de profissão, nunca vi tanta gente acompanhar um corpo.
"Se eu morrer, quero que
todos os meus filhos-de-santo continuem fazendo caridade. E que se esforcem
para que o Candomblé do Brasil seja, cada vez mais, encarado com seriedade e
respeitado por todo o mundo".
DEPOIS DE SUA MORTE, O TERREIRO EM SALVADOR, NO
BAIRRO DE SÃO CAETANO E O DE DUQUE DE CAIXAS, NA BAIXADA FLUMINENSE NÃO FORAM
MANTIDOS. O CABOCLO PEDRA PRETA, SUA ENTIDADE MAIS FAMOSA, NÃO TEVE UM SUCESSOR
PARA REPRESENTÁ-LO.
Disponivel em <http://www.oriaxe.com.br/especialjoaodagomeia.htm> acesso 22.07.2013.
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